Batata Movies – Professor Marston E As Mulheres Maravilhas. A Gênese De Uma Heroína.

                  Cartaz do Filme

Um filmaço em nossas telonas. “Professor Marston e as Mulheres Maravilhas” conta a história real de William Moulton Marston, um professor universitário de psicologia que ficou conhecido por desenvolver um tipo de detector de mentiras e por conceber a famosa heroína Mulher Maravilha dos quadrinhos. O filme tem todo um charme especial, até porque a vida de nosso professor Marston foi extremamente singular, ainda mais para a época em que ele viveu (ali pela década de 20, 30, 40…). Singular eu digo por ele ser um homem à frente de seu tempo, desafiando de peito aberto as convenções rígidas da sociedade americana e caretíssima da época, embora ele não tenha feito isso sozinho.

                    Um professor e sua esposa…

Pois bem, nosso professor Marston (interpretado por Luke Evans, que as pessoas lembram mais por seu papel na mais recente versão de “Drácula”) criou uma teoria em psicologia que ele queria usar para compreender as relações humanas. Marston vivia com sua esposa Elisabeth (interpretada por Rebecca Hall), outra pesquisadora formada que tentava, sem sucesso, seguir sua carreira acadêmica, pois não era aceita nos doutorados da vida por ser mulher. Ambos observavam as pessoas no campus da universidade e observavam o comportamento delas para suas pesquisas. Até que um dia surgiu uma jovem lourinha muito bonita de nome Olive (interpretada pela fofíssima Bella Heathcote) que logo interessou ao casal, que queria trabalhar em especial com a moça. Esse singular relacionamento a três foi sendo balizado e dilapidado pelo detector de mentiras que Marston havia desenvolvido, chegando a algo muito inusitado para a época e servindo de inspiração para Marston conceber a Mulher Maravilha posteriormente. Mas não entrarei em mais detalhes por causa dos spoilers.

                   Uma aluna muito atraente…

O filme surpreende principalmente aqueles que não conhecem o universo dos quadrinhos da Mulher Maravilha, pois a heroína foi concebida originalmente de uma forma bem diferente da apresentada hoje em dia. Entretanto, já podíamos presenciar na película muitos elementos que reconhecemos hoje na Mulher Maravilha: os braceletes, a roupa apertada e curta, a tiara, a influência da cultura grega antiga, o laço que forçava as pessoas a falar a verdade, etc. Fica bem claro que a personagem foi fortemente inspirada nas duas mulheres que faziam parte da vida de Marston, ou seja, Elisabeth e Olive.

                 Um relacionamento singular…

Esse também é um filme que fala do assunto de superar tabus e preconceitos numa sociedade com um conservadorismo extremamente indócil, onde as pessoas acham que podem ditar o seu modo de vida, desvalorizando e perseguindo aqueles que não rezam por sua cartilha. O professor Marston, Elisabeth e Olive enfrentaram juntos situações muito escabrosas em vários momentos, levando a contenda de cabeça erguida em alguns episódios, mas fraquejando em outros, o que despertava um sofrimento enorme, e que nos ajudava a lembrar de que se tratava de seres humanos ali, independentemente de suas escolhas de vida e de convenções sociais.

Os três atores protagonistas estiveram muito bem. Não conheço toda a carreira de Evans, mas dos filmes que vi, esse foi disparado o que teve a sua melhor atuação. Rebecca Hall estava simplesmente primorosa, no seu papel da forte e, ao mesmo tempo, frágil Elisabeth. A belíssima Bella Heathcore não chegou ao nível dos dois atores já descritos aqui, mas ela emocionava muito nos momentos mais dramáticos. Ou seja, eles formaram uma trinca de respeito que vendeu bem a ideia principal do filme, que é a de ser feliz, não importa o que seu entorno diga de sua felicidade e de seu modo de vida. Outro grande barato da película foi ver algumas páginas de quadrinhos originais da Mulher Maravilha, tal como ela fora concebida pelo Professor Marston. Esse pequeno detalhe já é motivo suficiente para justificar o preço do ingresso do filme para os amantes dos quadrinhos.

                  Busca por novas experiências…

Assim, “Professor Marston e as Mulheres Maravilhas” é um filmaço que deve ser assistido por todos. Pelos amantes dos quadrinhos, pelos amantes de um bom filme que reflete sobre os avanços e retrocessos da mentalidade de uma sociedade e pelos amantes do chamado empoderamento feminino que circula por aí hoje, cuja gênese foi formada há várias décadas e da qual a Mulher Maravilha é o seu maior ícone. Esse é o caso clássico do filme que é para ver, ter e guardar. Programa imperdível.

Batata Movies – Assassinato No Expresso Oriente. Kenneth Branagh Volta A Atacar!

Cartaz do Filme. Um detetive e um rosário de suspeitos

Um bom filme em nossas telonas. “Assassinato No Expresso Oriente” marca a volta de histórias da mestre Agatha Christie no cinema, sob a responsável chancela de ninguém mais, ninguém menos do que Kenneth Branagh. Um filme que tem como atrativo uma grande história, contada por um grande elenco. Além de Branagh, no óbvio papel de Hercule Poirot, com seu bigode de trinta quilômetros, tivemos nomes de peso como Judi Dench, Willem Dafoe, Johnny Depp, Penélope Cruz, Michelle Pfeiffer e a “Star Wars” Daisy Ridley. Mesmo que o filme tenha sido totalmente centrado em Branagh, somente a presença desse elenco é um belo cartão de visitas que já faz o filme ser ansiosamente aguardado.

                                   Poirot e seu bigodão. O cara!!!

A história não sai do lugar comum das tramas de Christie: um assassinato, onde Poirot precisa desvendar o mistério de quem é o assassino, dentre todo um rosário de suspeitos. No caso aqui, a vítima é um gângster magistralmente interpretado por Depp (sua face camaleônica novamente o torna irreconhecível e o fato dele ser o morto em questão torna a sua presença limitada na película, o que é uma pena). Poirot está cansado e já faz uma viagem para desvendar um caso. O detetive precisa de férias e recebe esse pepino para descascar em pleno trem, que fica preso numa avalanche. Assim, ele tem pouco tempo para descobrir o assassino, enquanto os funcionários da linha férrea desobstruem os trilhos cobertos pela neve. O filme dá a entender que esse é um dos casos mais difíceis que Poirot enfrentou, cujo desfecho é bem trágico, o que talvez tenha colocado essa história de Christie numa posição mais singular. Como eu somente li um livro da autora, não posso dar uma opinião segura quanto a isso, mas se agregarmos as histórias de “Morte Sobre o Nilo” e “Testemunha de Acusação”, ambas aproveitadas para o cinema, vemos que “Assassinato no Expresso Oriente” toma um caminho um tanto diferente dessas demais histórias no que se refere ao desfecho. De qualquer forma, o filme nos dá uma sensação de mortificação e aperto no coração em seu final, onde sentimos toda a dor de Poirot com o que ele presencia, o que dá margem para uma boa reflexão e discussão filosófica. Ou seja, é uma Agatha Christie que faz pensar não na forma da montagem de uma trama, mas sim faz pensar questões mais profundas. Até pelo fato de o filme terminar dessa forma mais inusitada, a atenção total que o espectador deve dar a uma história que reconstitui um assassinato como se fosse as peças de um quebra-cabeça não é tão necessária assim. E a cerebralidade policial da película é substituída por algo mais emotivo e que lança nossa alma numa lamentação incomensurável.

                                   Atores de peso…

Com relação aos atores? Branagh simplesmente arrebentou. Ele deixou bem clara a meticulosidade do personagem ao exigir dois ovos cozidos rigorosamente iguais e em ser um observador rigoroso, sendo possível identificar cada detalhe de seu interlocutor. Suas gargalhadas ao ler Dickens também foram dignas de atenção, já que o escritor é famoso por contar histórias não tão alegres assim. Todos esses detalhes atraíam o espectador que nada conhece sobre Poirot ou ajudavam a ressuscitar uma figura há muito tempo esquecida (o que foi o meu caso). Do elenco estelar, devo confessar que lamentei o pouco tempo de tela a alguns medalhões do naipe de Dafoe, Dench e Cruz. Michelle Pfeiffer estava magnífica no filme e, mesmo com os sinais da idade já despontando em sua face, ela não deixa de ser uma mulher charmosa. Ainda contribui para a atuação dela o fato de sua personagem ter uma certa centralidade na história. Só é de se lamentar que, com tantos craques de atuação aqui, Daisy Ridley tenha ficado tão ofuscada. Bom, se ela quer ser grande, ela precisa estar entre os grandes. E se ela foi chamada para isso, eu considero tal situação um bom sinal. Ela fez o que podia fazer de melhor ali. Mas teve um baixo tempo de tela, também, até por motivos óbvios.

                                … e uma diva…

Dessa forma, “Assassinato No Expresso Oriente” pode até ser mais uma adaptação de Agatha Christie para o cinema, mas não deixa de ser simpática e atraente, pois é conduzida por alguém muito competente como Branagh. Pela boa história, pelo elenco e, principalmente, pela reflexão gerada por um desfecho um tanto inusitado, vale a pena dar uma conferida.

Batata Jukebox – Respect the Wind (Van Halen)

O melhor crédito final de filme de todos os tempos!!!! Do filme “Twister”, recordemos Van Halen!!!

Batata Movies – Mãe. Parece, Mas Não É.

                Cartaz do Filme

Um filme inusitado passou em nossas telonas. “Mãe”, dirigido por Darren Aronofsky (o mesmo diretor de “Cisne Negro”) é uma daquelas películas que seguem uma linha narrativa que, de repente, se modifica completamente, bem ao estilo do “parece, mas não é”. Com isso, o espectador fatalmente tem a impressão de que vê um certo gênero quando, na verdade, acaba sendo outro. Um filme que gosta de brincar de gato e rato com o espectador.

                      Uma mulher atormentada

Mas, no que consiste a história? Vemos aqui um casal bem unido (interpretado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem). O marido é escritor e tem um bloqueio criativo que o impede de seguir a sua carreira adiante. Já a esposa é devotada ao casamento e ajuda o cônjuge a reconstruir a sua vida depois de uma tragédia pregressa. Tudo parecia às mil maravilhas com aquele casal. Até que, um dia, o marido leva um homem estranho para sua casa (interpretado por Ed Harris) e o acolhe, para espanto da esposa, que não entende a atitude do esposo a princípio, mas a acata, pois vê que o seu companheiro tem uma postura altamente solidária. Entretanto, com o tempo, aquele acolhimento dado àquele homem revela-se uma tremenda furada. O cara é extremamente inconveniente, fuma dentro de casa, e tem uma doença que provoca nele tosses insuportáveis não somente para ele como também para quem presencia aquilo tudo. E, como se não bastasse, ele tem uma esposa (interpretada por Michelle Pfeiffer), que se revela muito cínica e ácida. Todo esse rosário de situações inusitadas vai transformando a vida da esposa da casa num inferno e o marido não toma qualquer atitude para reverter isso, já que os intrusos se declaram fãs incondicionais de sua produção literária.

                         Um marido sem noção…

Esse é o tipo de filme que incomoda muito o espectador, já que ele bate de frente com um valor primordial da sociedade liberal: a ideia de propriedade como sinônimo de liberdade. Desde os tempos da Revolução Inglesa e do pensador John Locke, que cunhou as bases do liberalismo político, a ideia de propriedade como liberdade, cunhada pelo mesmo pensador, impera na sociedade liberal capitalista contemporânea. E, de repente, vemos o direito à propriedade sendo sistematicamente violado na película, provocando um enorme desconforto e uma empatia cada vez maior entre o espectador e a esposa interpretada por Lawrence, que recebe a agressão direta do desrespeito a esse direito fundamental. E a coisa é feita numa torrente cada vez mais crescente em intensidade, com a nítida intenção de incomodar. Por ser tão agressivo, o espectador vê a película nesse momento como uma história de suspense que pode até descambar para o terror, achando que o filme irá cair no lugar comum de um clichê. O problema é que a coisa vai se tornando cada vez mais surreal com o andamento da história, e o inusitado fica tão agressivo que rompe até os limites da liberdade poética, deixando a pessoa que assiste um tanto perdida com o que vai acontecer com o desfecho. E aí, quando chega o clímax, há uma violenta virada, onde o filme assume outra cara, não fechando um ciclo, por mais paradoxal que isso possa parecer. Infelizmente, os spoilers não me permitem ir mais a fundo na análise, mas uma coisa é certa aqui: a violenta virada que esse filme sofre em sua estrutura narrativa não é algo que a gente vê todo o dia e acaba nos surpreendendo um pouco, como se a violação da propriedade prendesse tanto a nossa atenção que a gente não consegue perceber as pequenas pistas que essa virada nos deixa antes do clímax (a capa de surreal é outro fator que ajuda a omitir um pouco tal virada, embora as pistas residam justamente no surreal).

          Ed Harris, um homem inconveniente

Bom, apesar desse estado de confusão que o filme provoca no espectador, visto por uns como virtude e por outros como defeito, temos um grande atrativo que é o elenco. Foi muito bom rever Ed Harris e Michelle Pfeiffer, que andavam meio sumidos de nossas telonas. Só é uma pena que tenham aparecido pouco. Eles poderiam ter tido uma participação um pouco maior na história, sobretudo Pfeiffer, com uma personagem bem mais interessante e agressiva. Harris foi perfeito em sua inconveniência, embora o personagem exibisse uma fragilidade latente que não combinava muito, mas ajudava a aumentar a tensão. Bardem foi primoroso como o marido amável, que podia ser muito complacente em alguns momentos, mas extremamente agressivo em outros. Agora, a mais fraquinha ali talvez tenha sido justamente Jennifer Lawrence. Embora suas sequências de desespero explícito tenham sido bem convincentes, sua atuação meio que se apagou em meio a tantos craques ali envolvidos. Foi até uma covardia com a moça, ouso dizer, mesmo que ela tenha melhorado muito nos últimos anos. Talvez a personagem não ajudasse muito, sei lá, embora não devamos nos esquecer (alerta de spoiler) de que ela chegou a uma situação limite no filme, onde ela acabou saindo do lugar comum de vítima que constituía a sua personagem.

Michelle Pfeiffer, numa personagem ácida e cínica

Assim, “Mãe” é um filme que merece ser visto, primeiro porque ele incomoda e agride o espectador a um ponto de que o mesmo não sabe mais qual será o desfecho da história. E, em segundo lugar, porque o filme revela uma grande virada em seu desfecho, até certo ponto inesperada, pois a estrutura narrativa consegue camuflar bem as pistas de que essa virada irá acontecer. Além disso, temos um ótimo elenco que comprou a ideia do filme e topou destilar todo o seu talento. Vale a pena dar uma conferida. Uma coisa é certa: o filme despertou muita polêmica, sendo amado e odiado pelas pessoas por aí. Ninguém ficou indiferente a essa película.

 

Batata Movies – Liga Da Justiça. Mais Um Passo No Desenvolvimento Da DC.

                    Cartaz do Filme

A DC lançou mais uma de suas apostas para o upgrade de suas franquias e estreou o audacioso “Liga da Justiça”, onde foram apresentados novos super-heróis (leia-se Aquaman, Ciborgue e Flash). O negócio agora será fazer filmes solo para esse povo todo. Mas, por enquanto, esse filme mostra todo o rosário de super-heróis trabalhando em conjunto.

               Um Aquaman meio vaca brava

E qual foi o resultado de tudo isso? Creio eu que “Liga da Justiça” foi um bom filme, mesmo que tenha sido um pouco arrastado em alguns momentos (o mesmo aconteceu com o filme solo da Mulher Maravilha). Talvez isso aconteça, pois a pegada da DC é a de encarar o Universo de heróis com um pouco mais de seriedade e o clima fica mais pesado (me desculpem leitores, mas a comparação com a Marvel é inevitável). Tal clima atrapalha um pouco o processo de construção dos personagens. E eram vários personagens a serem apresentados, causando uma boa quantidade de micro-histórias que o espectador era obrigado a assistir, quando o público desse filme quer uma pegada maior de ação. Entretanto, não sejamos injustos. “Liga da Justiça” traz uma história instigante e é legal ver os heróis trabalhando em equipe ou se desentendendo, como aconteceu em alguns momentos. Cá para nós, as cenas de conflito foram muito mais interessantes que as cenas de trabalho em equipe, mas não dá para contar em detalhes aqui sem ser alvejado pelos caçadores de divulgadores de spoilers.

                          Um Flash engraçadinho

O que podemos falar dos novos heróis? Tivemos dois casos muito bons e um mediano. Aquaman foi uma grande surpresa, sendo um personagem muito carismático. Só me causaram estranheza (e grande curiosidade) dois fatores. Em primeiro lugar, por que um Aquaman de grandes cabelos e barba negra? A minha ignorância retumbante em quadrinhos me faz ver esse Aquaman mais com um visual de Deus Netuno. Cadê o louro de olhos azuis? Em segundo lugar, seu visual um tanto rústico me pareceu gerar também um Aquaman meio vaca brava, que salva os fracos e oprimidos e depois os arremessa contra o balcão de um bar e ainda toma uma branquinha (os mais maliciosos diriam que tem tudo a ver o Aquaman ser um pau d’água). Queria saber de onde vem esse visual e toda essa crueza.

                  Um Ciborgue mal aproveitado

Já o nosso Flash faz o papel do pós-adolescente deslumbrado com o meio dos super-heróis, uma fórmula que é repetida por aí (não vou falar o nome da Marv…, ops!). Mesmo não sendo algo muito original, esse Flash mais engraçadinho foi muito simpático e trouxe bons momentos de humor para a película, num ambiente pouco afeito a piadas. Assim, creio que o Flash foi uma ótima contribuição.

O mesmo não se pode falar do Ciborgue. Um homem atormentado por uma experiência um tanto frustrada, coordenada pelo próprio pai, tinha tudo para ser um ótimo personagem. Mas pareceu que a coisa ficou um tanto mal desenvolvida para ele, meio travada, mesmo que a Mulher Maravilha tenha descambado mais para seu lado mãezona com relação a ele. Esperemos que Ciborgue seja mais bem aproveitado e bem desenvolvido.

Num ponto podemos dizer que a DC acertou maravilhosamente. Ela deixou um lance totalmente escondido dos trailers e divulgações. Uma coisa que ficou guardada e que se revelou uma boa surpresa e um grande trunfo. Alguns podem até achar que essa carta na manga deveria ser usada num filme próximo, mas do jeito que ficou, creio que valeu a pena usar isso já nesse filme. Quem prestar um pouco mais de atenção nessas linhas deve entender do que estou falando. Só é pena que possa ter havido um furo de roteiro aí. Mas nada que atrapalhe muito.

Assim, “Liga da Justiça” é um bom filme que está mostrando a melhora progressiva das películas da DC. Se o filme solo da Mulher Maravilha já foi bom, “Liga da Justiça” traz algo a mais e a possibilidade de novas histórias e películas. Vá e, principalmente, não implique. E não deixe de desfrutar das duas cenas pós-créditos.

Batata Movies – Borg Vs. McEnroe. Tênis Como Vida.

                                  Cartaz do Filme

E finalmente estreou o tão esperado “Borg Vs. McEnroe”, um filme baseado na história real de dois tenistas que foram ícones em seu ofício: Björn Borg, que venceu Wimbledon várias vezes, e John McEnroe, um tenista tão talentoso quanto explosivo. Não cheguei a ver Borg jogar, mas me lembro bem de McEnroe, principalmente de seus chiliques com o juiz e com a torcida, que o vaiava efusivamente enquanto ele dava raivosas raquetadas em tudo o que via.

             Borg, um homem atormentado

A história do filme se centrou na final de Wimbledon em 1980, quando os dois tenistas se enfrentaram pela primeira vez. Borg tentava, nada mais, nada menos que o seu quinto título consecutivo em Wimbledon, enquanto que McEnroe aparecia como uma revelação. Com relação à partida em si, o grande barato foi assistir à sua reconstituição sem saber do desenrolar do jogo e de seu resultado, o que foi o meu caso. Um tie-break arrasador, onde os dois jogaram ponto a ponto, foi a grande atração da coisa, e confesso que fiquei muito feliz com quem ganhou, embora eu obviamente não vá contar aqui.

              McEnroe, nitroglicerina pura!!!

Mas o filme é muito mais do que a partida final. Ao traçar a carreira e vida pessoal dos dois tenistas, vemos um filme que fala muito mais da condição humana e dos limites do ser humano do que de qualquer outra coisa. Focando mais na vida de Borg (o que eu achei um problema, pois McEnroe merecia igual atenção), pudemos atestar como o sueco, visto como extremamente frio (seu apelido na época era “Ice Borg”), na verdade era uma torrente de emoção paroxista altamente reprimida pelo seu técnico (interpretado pelo ótimo Stellan Skarsgard). Já McEnroe é uma espécie de menino prodígio, muito inteligente em matemática, que desde cedo dava mostras de um temperamento forte, mas que só aflorou na idade adulta, quando era tenista. Pela forma como esses personagens foram apresentados em suas aspirações (e, principalmente, angústias), o espectador fica com uma empatia imediata em relação a eles. E os atores ajudaram muito nessa empatia. Shia Labeouf, com seu temperamento explosivo e errático, pareceu a escolha certa para o personagem de McEnroe, mesmo não se parecendo muito com ele. Na verdade, até a sua imagem de McEnroe no cartaz do filme parece soar como uma piada; você olha para aquilo e pensa: “Tudo a ver”. Brincadeiras à parte, Labeouf esteve muito bem no papel e, ao contrário do que o leitor pode pensar, não me refiro às explosões emocionais propriamente ditas, mas sim ao arrependimento que tais explosões emocionais provocavam. Impossível não se identificar com o personagem. Já Borg foi interpretado por Sverrir Gudnanson, este sim a cara do tenista real. Aqui víamos o misto de uma mente extremamente metódica com uma insegurança arrebatadora, que beirava ao pânico e ao desespero, mente essa fortemente reprimida, algo que nos angustiava muito. O cara não se soltava, mesmo estando profundamente angustiado, e isso provocava um tal impacto no espectador que o fazia também se identificar com o personagem. Assim os dois tenistas expressavam em sua total intensidade dois aspectos do humano, algo extremamente sedutor e cativante, que ultrapassava as fronteiras do tênis e se ampliava para o domínio da vida.

Skarsgard. Muito bem como técnico de Borg.

Pode-se dizer aqui que esse filme lembra muito “Rush”, onde vimos a disputa entre James Hunt e Nikki Lauda pelo título mundial de Fórmula 1 de 1976. Mas, se em “Rush”, a pegada foi um pouco mais voltada para a ação, mesmo que a vida pessoal dos dois pilotos tenha sido enfocada, em “Borg Vs. McEnroe”, a coisa ficou mais no lado psicológico dos personagens, gerando uma história mais tensa, mas não menos apaixonante.

                                                                    Grande caracterização!!!

Assim, “Borg Vs. McEnroe” é um programam imperdível. Um filme para os amantes do tênis, pois a sequência da partida final foi muito bem construída. Mas um filmaço também para os cinéfilos e o público em geral, pela forte abordagem psicológica das histórias de vida dos dois tenistas. Vale muito a pena dar uma conferida.

Batata Movies – Thor Ragnarok. Muito Engraçadinho, Mas Não Ordinário.

                  Cartaz do Filme

A Marvel ataca novamente com “Thor, Ragnarok”, o terceiro filme solo do Deus do Trovão e que conta com um tremendo nome de peso: Cate Blanchett, como Hela, a Deusa da Morte, irmã mais velha de Thor e de Loki. Esse foi um bom filme, bem ao estilo das demais películas da Marvel: muita ação, CGIs e humor, uma receita que tem dado certo, embora agora pareça que eles exageraram um pouco na mão do humor, aproveitando o lado mais lerdinho e burrinho de Thor.

                    Um Thor sem as madeixas…

A história gira em torno do chamado “Ragnarok”, ou seja, uma espécie de apocalipse da mitologia nórdica, onde Asgard será destruída. Loki (interpretado por Tom Hiddleston) toma o trono de Asgard e confina Odin numa casa de repouso na Terra. Quando Thor descobre tudo, ele obriga o irmão a ir atrás do pai junto com ele. Qual não é a surpresa quando os dois descobrem que a casa de repouso foi demolida? Mas aí entra o Dr. Estranho (interpretado por Benedict Cumberbatch) na jogada e ajuda os irmãos a encontrar o pai na Noruega, com um portal dimensional. Entretanto, eles encontram Odin à beira da morte, o que significa que Hela, a Deusa da Morte e filha mais velha de Odin está por perto. A ideia de Hela é tomar o trono de Asgard e colocar vários outros reinos sob seu domínio. O problema é que, na luta entre os três irmãos, Thor e Loki irão parar num estranho mundo governado por um tal Grão Mestre (interpretado por Jeff Goldblum, em excelente atuação), que coloca Thor para lutar contra seu campeão (o Hulk) numa arena. Caberá ao Deus do Trovão sair dessa tremenda encrenca para tentar salvar Asgard das garras de Hela.

             Novamente, a boa presença de Loki

Todo filme que fala de destruição e apocalipse geralmente tem um tom mais sombrio. Não foi o que aconteceu aqui. Pelo contrário. A carga de humor tão presente nas películas da Marvel, deu o ar de sua graça mais do que devia, o que ridicularizou um pouco nosso personagem protagonista. Não que isso seja ruim, mas parece que dessa vez ficou um tanto exagerado, mesmo que saibamos que, na mitologia nórdica, Thor é meio vaca brava mesmo. Sei lá, nesses filmes solo do Thor, confesso que sempre gostei muito mais do Loki, resultado do magnífico trabalho de Tom Hiddleston, cujo papel parece cair como uma luva para ele, principalmente quando ele dá aquele sorrisinho sarcástico. Ainda, temos aqui um vilão que é realmente do mal, mas ainda tem algum relacionamento afetivo com o mocinho. Nesse ponto, a analogia entre Loki e Magneto, outro grande personagem do Universo Marvel, se faz de forma imediata. E aí, o roteiro com lances cômicos funciona bem na interação entre os irmãos.

                 Dr. Estranho dá uma ajudinha…

Agora, as novidades. Jeff Goldblum esteve muito bem como o carnavalizante Grão Mestre, multicolorido e afetado, num mundo para lá de insólito. Ele conseguia ser odioso e engraçado, beirando o ridículo, ao mesmo tempo. Sentíamos toda a maldade dele, mas o personagem também conseguia esbanjar simpatia. Agora, o grande trunfo e novidade desse filme, sem a menor sombra de dúvida, foi Cate Blanchett. A mulher simplesmente arrebentou! Ela conseguia ser sensual e elegante ao mesmo tempo, ou seja, não era vulgar. E sua vestimenta negra, aliada com a maquiagem pesada, trouxe lembranças vivas das divas expressionistas do passado, tudo isso evocando uma alma maligna! Foi de encher os olhos! Tal trabalho da atriz já é uma espécie de cartão de visitas para o seu filme “Manifesto”, onde ela interpreta, de forma camaleônica, vários papéis, e que também está em cartaz.

                    Cate Blanchett, magnífica!!!

O mais curioso foi o desfecho, que foge do convencional e acabou sendo um tanto ambíguo, algo interessante, mas que os spoilers me evitam de revelar. Cá para nós, essa ambiguidade até esteve presente no filme pois, como já foi dito, um tema pesado como o apocalipse fica tratado de forma esquisita quando se exagera na dose de humor.

Assim, “Thor, Ragnarok” ainda segue a receita de sucesso da Marvel, embora agora tenha exagerado um pouco na mão do humor. Mas como a Marvel não dá ponto sem nó, desta vez ela caprichou nas aquisições do elenco, trazendo Jeff Goldblum e, principalmente, Cate Blanchett. Será que não dá para trazer Hela de volta nas próximas películas? Espero que sim. Ah, e não se esqueçam dos pós-créditos. São dois dessa vez.

Batata Antiqualhas – Jornada Nas Estrelas. Radiografando Um Longa: A Terra Desconhecida.

             Cartaz do Filme

O filme “Jornada nas Estrelas 6, A Terra Desconhecida” seria o último longa metragem da tripulação da série clássica, não fosse “Generations”, onde Kirk, Chekov e Scott ainda dão o ar de sua graça, com a desnecessária morte de Kirk. Entretanto, o sexto filme da primeira tripulação da Enterprise deu um final digno àquela equipe, além de mostrar-se uma obra antenada com o seu tempo e os objetivos iniciais da série lá nos anos 1960. Vamos radiografar esse filme agora.

      Nossa amada tripulação em sua última missão

Só para recordarmos, Sulu é o capitão da Excelsior, uma nave que ele ficou admirando no terceiro e quarto filmes. Ficou a impressão que ele mexeu os pauzinhos certos para pegar a nave. Numa missão, ele testemunhará a explosão de Práxis, a lua klingon que é a principal fonte de energia do Império alienígena. Ao saber disso, Spock toma as rédeas das negociações de paz com os klingons e convence seus superiores a trazer para a Terra o chanceler Gorkon para as conversações.

            O grande trio ainda dando caldo

Obviamente, a Enterprise foi escolhida, pois segundo a frota espacial, os klingons não se atreveriam a gracinhas com Kirk por perto, para desespero do capitão. Contrariado com a situação, Kirk parte com a Enterprise para receber Gorkon. Mas o chanceler é assassinado depois de a Enterprise supostamente ter atirado no cruzador klingon, ter desligado a gravidade artificial e dois supostos membros da Federação terem se teletransportado para o cruzador, matando vários klingons a tiros de phaser, assim como o chanceler. Sob a mira dos torpedos fotônicos klingons, Kirk anuncia a rendição e se teletransporta junto com o Doutor  McCoy para o cruzador para oferecer assistência. Mas os dois acabam presos. O que se sucede é uma história onde a paz está ameaçada por uma conspiração envolvendo membros da federação trabalhando juntamente com klingons para manter o estado de beligerância e nossos heróis tentando resolver esse problema para trazer a paz.

           Encontro com o cruzador klingon

O que torna esse filme especial? Em primeiro lugar, a série clássica foi forjada dentro do contexto da Guerra Fria, onde todos os conflitos entre as nações haviam sido expelidos para o espaço. A noção de fronteira sempre foi um paradigma entre os americanos, segundo Frederick Jackson Turner, onde o povo saiu das treze colônias inglesas da América do Norte rumo ao oeste, expandindo as fronteiras americanas e indo além do Pacífico, pegando o Havaí, mas quebrando a cara no Vietnã. Não é à toa que o espaço é a fronteira final.

Gorkon e Kirk. Velhos guerreiros em busca da Terra Desconhecida

Como no século 23 todos os conflitos terrestres tinham sido abolidos, os inimigos agora são alienígenas como klingons e romulanos, alegorias da ameaça comunista da década de 1960. Mas em 1991, cai o Império soviético. Era necessário, então, um longa metragem com esse desfecho, sendo uma representação do fim da Guerra Fria. Nada mais claro nisso do que a conversa entre Kirk e Spock depois da reunião no QG da frota. Kirk, enfurecido, pergunta por que Spock o colocou naquela rabuda de escoltar os klingons, ao que Spock respondeu: “Há um antigo provérbio vulcano: somente Nixon poderia ir à China”. Emblemático.

Cena do julgamento. Um magnífico Plummer e o “avô de Worf”

Outra característica marcante do filme foi a necessidade de se explicar a presença de um klingon na ponte da Enterprise D (nosso estimado Worf, da “Nova Geração”). A nova série de TV, iniciada em 1987, exigia que em algum momento, a paz com os klingons fosse exibida. O fim da Guerra Fria foi o contexto ideal. Uma curiosidade a respeito é que o ator que interpreta Worf na “Nova Geração” também interpreta o advogado de defesa klingon na magnífica cena do julgamento de Kirk e McCoy (reza a lenda que o advogado seria o avô de Worf). Ainda no universo klingon do filme, temos a presença do consagrado ator Christopher Plummer, o pai ranzinza de “A Noviça Rebelde” (confesso que quando revi “A Noviça Rebelde” depois de “A Terra Desconhecida”, a primeira imagem de Plummer no filme me trouxe um “Q’aplá!”, a saudação klingon, à cabeça).

    Kirk enfrentando problemas em Rurah Penthe.

Gosto muito de ver atores consagrados trabalhando em franquias, acho que isso leva mais credibilidade a elas. A única exigência de Plummer foi que seu personagem Chang não tivesse longas cabeleiras. Mas até as cristas na testa ele aceitou. Genial! Outro detalhe notável foi associar os klingons a Shakespeare. Tudo a ver! Amantes da violência explícita! Por isso que se deve ler Shakespeare no original, ou seja, em klingon!

                  Enterprise A sem escudos!!!!

Mais um detalhe interessante: a relação entre Spock e a vulcana Valeris, que ele considerava ser sua herdeira. Nosso primeiro oficial tem uma afeição praticamente filial pela novata e sua decepção fica muito clara quando descobre que ela faz parte da conspiração e precisa fazer o elo mental nela para descobrir os membros da conspiração. Nota-se que, ao contrário do que ocorria na série clássica, ele não tem o menor pudor de esconder as emoções. Isso por dois motivos: a decepção fora enorme e por estar cercado de amigos de longa data que já sabiam de seu lado humano. De qualquer forma, sempre é bárbaro ver Spock revelando suas emoções, ainda mais numa situação de desalento como essa.

       Spock e Valeris. Afeto e mágoa

Por fim, a conspiração. Se na série clássica a Federação aparece como algo totalmente racional e asséptico a atitudes pouco virtuosas (reproduzindo um espirito talvez de inspiração positivista, totalmente falso para cabeças “menos evoluídas” do século 20), neste filme vemos membros da Federação conspirando junto com klingons para manter a guerra, algo mais palpável com nossa realidade. Esses desvios de caráter de membros da Federação são também vistos em “Deep Space Nine”. Os que conspiram são aqueles que temem um mundo de paz no futuro, a “Terra Desconhecida” que Gorkon brindou no sensacional jantar na Enterprise.

Final feliz. Pela última vez, tripulação salva o dia

Por essas e por outras, “Jornada Nas Estrelas 6, A Terra Desconhecida” é um filme de fundamental importância na franquia mais amada de todos os tempos (na minha modestíssima opinião).