Batata Movies – Eight Days A Week. Beatles Na Visão De Ron Howard.

Cartaz do Filme

Ron Howard está de volta em mais um filme muito bem feito, como somente ele sabe fazer. “Eight Days a Week: The Touring Years” é um documentário que nos mostra a trajetória dos Beatles bem ao início de sua carreira, quando eles fizeram várias apresentações ao vivo nos anos de 1963 a 1966.

Eles estão de volta!!!

O que esse documentário tem de tão especial? Ele nos mostra as primeiras fotos dos integrantes do grupo, quando ainda eram muito jovens, e Ringo Starr ainda não havia se integrado à banda. Os primeiros shows ao vivo ainda na Inglaterra também são registrados, assim como o momento em que eles atingiram o primeiro lugar nas paradas americanas, o que foi o sinal verde para eles fazerem uma viagem aos Estados Unidos e começarem uma pequena turnê por lá. A partir daí, muitos shows foram agendados (cerca de 250!!!), e a procura era tão grande que os teatros tiveram que ser substituídos por estádios, onde milhares de pessoas assistiam simplesmente ensandecidas e aos berros, o que praticamente tornava inaudível o show de música. O próprio Ringo Starr dizia que tocava sua bateria acompanhando as batidas dos pés de John Lennon e Paul McCartney no palco, assim como de que jeito suas bundas se mexiam, tamanho era o barulho dos gritos das fãs e a precariedade dos equipamentos de som, que tornavam impossível eles escutarem o que eles mesmos cantavam. Alguns trechos de shows ao vivo mostram ainda a grande curiosidade de se ver o próprio Ringo cantado algumas músicas. O documentário mostra, também, como os integrantes do grupo conseguiam cativar a todos, tendo um comportamento totalmente irreverente e debochado que não ofendia a ninguém, pelo contrário, somente os tornava cada vez mais simpáticos aos olhos de todos. Outro detalhe mencionado no filme era a quantidade de músicas que o grupo gravou, sobretudo de autoria de John Lennon e Paul McCartney, cerca de 800 ao longo de toda a carreira. Somente os compositores clássicos e eruditos como Mozart, Bach ou Schubert eram tão prolíficos.

Mais um bom filme de Ron Howard

Mas nem tudo são flores na carreira dos garotos de Liverpool. Com o tempo, a maratona de shows se tornou extenuante e eles precisaram parar com isso, pois não aguentavam mais. A produtividade musical deles estava em xeque e era hora de se fazer uma pausa para retornar aos estúdios, não sem antes dar uma paradinha nas Bahamas para gravar um filme. O grupo já tinha rodado duas películas: “A Hard Days’ Night” e “Help”, mas a terceira não saiu. O que rolou muito nas gravações desse malogrado filme foi um baita consumo de maconha que deixou os quatro muito doidões. De qualquer forma, a parada nos shows foi frutífera, pois o grupo gravou o álbum “Sargent Peppers”, que foi um estrondoso sucesso.

Ringo e Paul na estreia do filme

Assim, se você quer sentir um pouco o que foi o início da carreira dos Beatles e essa incrível maratona de shows, não pode perder esse documentário que, infelizmente, já saiu de cartaz. O jeito é ficar de olho no lançamento em DVD, pois esse filme é daqueles de se ver, comprar e guardar. Imperdível.

Batata Movies – A Grande Muralha. O Problema Foi Com Os Bichinhos.

Cartaz do Filme

Pegue um grande diretor chinês do naipe de Zhang Yimou. Dê a ele toda a estrutura do mundo de Hollywood para trabalhar. Dê, ainda, atores consagrados de um porte de um Matt Damon e Willen Dafoe. Puxa vida, um filme produzido nessas condições vai ser de muita qualidade e de muito sucesso, não é? Errado!!! Acabou sendo uma coisa muito bobinha, pois os CGIs também entraram em ação. E fabricaram coisas altamente inverossímeis e, principalmente, bichinhos, muitos bichinhos, ainda por cima numa História de Época que se passa na Idade Média, para degringolar tudo de uma vez. Essas foram as impressões de “A Grande Muralha”, que passa em nossas telonas. Um fiasco total de onde poderia sair algo de muito bom.

William tomará um novo rumo em sua vida

Vemos aqui a história de dois europeus, William (interpretado por Matt Damon) e Tovar (interpretado por Pedro Pascal), em jornada ao oriente em busca de uma poeira negra que explode e pode ser usada como uma perigosa arma (a tal da pólvora). Por estar em território estrangeiro tentando tomar as coisas dos outros, nem é preciso dizer que esses dois caras são hostilizados em qualquer lugar que passam. Até que um dia, chegam à Grande Muralha da China, e são aprisionados pelo exército chinês. Enquanto eles estão como prisioneiros, veem esse exército lutando contra uns bichinhos verdes muito feios. Como William é muito bom no arco e flecha e ajuda os chineses, ele e seu amigo Pascal caem nas graças dos defensores da muralha e do Império. Mas há outro ocidental que vive com os chineses há anos, Ballard (interpretado por Willen Dafoe), que é mantido preso por lá para não espalhar o segredo da pólvora para o Ocidente.

Tovar…

Ballard organiza com Tovar um plano de roubo da pólvora e de fuga, enquanto que William fica cada vez mais envolvido com os chineses, já que finalmente encontra uma razão para lutar e, ainda por cima, o exército chinês tem uma bela general, Lin Mae (interpretada por Tian Jing). Assim, William terá a dupla tarefa de ajudar os chineses a evitar que os monstrinhos verdes e feios atravessem a Grande Muralha para atacar a capital do Império e, ao mesmo tempo, lidar com os planos inescrupulosos de seus dois colegas ocidentais.

…e Ballard. Pensando numa fuga e roubo de pólvora

A história até que não é de se jogar fora, mas… bichinhos? A coisa ficou muito caricata e forçada. Que se colocassem hunos para atacar a Grande Muralha, como vimos em “Mulan”, que foi algo muito mais digno e plausível. O pior é que sentimos que a película teve ares de grande produção, principalmente nas indumentárias coloridas do exército chinês, que ficaram simplesmente deslumbrantes (o figurino desse filme estava realmente muito bonito). Mas o filme ficou com cara de blockbuster B, do tipo de “Deuses do Egito”, algo imperdoável quando você tem um cara da qualidade de Zhang Yimou na direção. Ou seja, tinha que sair coisa muito melhor que isso. Era para se fazer um filme hollywoodiano de ação com CGIs? Não tem problema. Mas que se fizesse algo que fosse um pouco mais digno do talento dos atores usados e do diretor.

General Lin Mae. Um bom motivo para ficar na China

Do jeito que a coisa foi produzida, ficou uma cara de filme de Sessão da Tarde, mas daqueles descartáveis que são totalmente editados e que só tem a função de preencher buracos na programação, o que é extremamente lamentável. Só não vou dizer que esse filme não é totalmente recomendável pelos bons atores usados, tanto do lado hollywoodiano quando do lado chinês, e pelo belo figurino. Mas isso é muito pouco para essa película, que tinha que ser muito mais ambiciosa.

Muitos bichinhos

Assim, “A Grande Muralha” foi uma sucessão de equívocos, mas pelo menos você vai poder dizer que viu Zhang Yimou trabalhando em Hollywood, embora não tenha dado muito certo. Vá, mas não espere muito.

https://youtu.be/Akwj1yudlD0

Batata Movies – Um Limite Entre Nós. Campeão Moral?

 

Cartaz do Filme

Estreou nas telonas mais um candidato ao Oscar. “Um Limite entre Nós” (“Fences”) concorreu a quatro estatuetas (melhor atriz coadjuvante para Viola Davis, melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor ator para Denzel Washington) e ganhou o merecido Oscar de atriz coadjuvante para Viola Davis. Esse filme, estrelado e dirigido por Denzel Washington, é baseado na peça de teatro de mesmo título, escrita por August Wilson, que também assinou o roteiro. Por isso mesmo, a película ficou com uma tremenda cara de teatro filmado, onde exigia-se muito do espectador, que tinha que prestar uma atenção danada nos diálogos. Mas isso não significa que o filme tenha sido ruim. Muito pelo contrário, aliás. Me arrisco a dizer que esse filme poderia perfeitamente ganhar a estatueta de melhor filme sobre “Moonlight”.

Um casal aparentemente feliz

No que consiste a história? Temos aqui a vida de Troy (interpretado por Washington), um pai de família altamente simpático e brincalhão que trabalha numa companhia de limpeza, juntamente com seu amigo Bono (interpretado por Stephen Henderson). Troy é casado com Rose (interpretada por Davis) e é um cara muito durão com seus dois filhos, o que provoca muitos conflitos entre eles. Tudo isso acontece em virtude da vida pregressa de Troy, que foi muito complicada e cheia de amarguras, e que serviu de referência para ele educar seus filhos. Ou seja, Troy queria mostrar aos filhos que na vida real ninguém terá pena deles e que os rapazes devem aprender a conviver com essa forma impiedosa de relacionamento com o mundo. Assim, Troy, por ser muito teimoso e turrão, criava sérios problemas de relacionamento no seu âmbito familiar e todas essas confusões tinham que ser resolvidas por Rose, que funcionava na família como uma espécie de “voz da razão”. Mas um deslize de Troy acabaria implodindo esse seio familiar.

Mas logo os problemas de relacionamento aparecem

Por que esse filme é muito bom? Porque ele possui uma grande quantidade de personagens muito bem construídos, e cada um tinha uma função específica na trama, funcionando harmoniosamente como as engrenagens de uma máquina muito bem azeitada. A forma amistosa como os personagens interagiam entre eles no início do filme fazia os espectadores se apropriarem daquele espaço e parecia que estávamos sentados naquele quintal juntamente com Troy, Rose e Bono. Por isso mesmo, depois de que se estabeleceu essa relação mais intimista entre os protagonistas e o público, as situações de choque que iam aparecendo afetavam com a mesma intensidade os personagens e os espectadores. Nesse ponto, o filme foi muito eficaz, apesar de seu andamento um tanto lento e maçante, onde parecíamos ver um teatro filmado.

Viola Davis. Prêmio merecidíssimo

Uma metáfora muito interessante foi empregada na película. Troy tentava, o tempo todo, construir uma cerca, que simbolizava duas coisas na história. Em alguns momentos, ela era uma representação da indivisibilidade do meio familiar, como se a cerca pudesse abrigar sua família e mantê-la intacta dentro de seus limites. Mas em outros momentos, a cerca representava justamente o contrário, ou seja, ela era uma metáfora das barreiras entre Troy e os filhos, ou entre ele e a própria esposa.

A atuação de Denzel Washington foi primorosa, e confesso que, pela primeira vez, fiquei em dúvida se o prêmio de Casey Affleck foi merecido ou não. De qualquer forma, parece que funcionou a lógica de indústria, ou seja, é dado o Oscar para o ator mais jovem, com uma carreira mais promissora, cujo rótulo de “vencedor do Oscar” vai atrair mais dinheiro, em detrimento ao ator mais velho e já consagrado, cuja premiação não será tão lucrativa assim no futuro. Já o prêmio para Viola Davis foi merecidíssimo, pois ela deu tamanha nobreza para a sua personagem que ela acabou se tornando uma figura totalmente admirada e incontestável. Agora, cá para nós: ela parecia muito mais uma atriz principal do que coadjuvante. Ah, mas aí ela concorreria com Emma Stone, que é praticamente o mesmo caso de Casey Affleck e Denzel Washington. Aí a gente começa a entender os critérios de premiação que são mais vantajosos para os lucros da indústria do que para com o talento.

Assim, “Um Limite Entre Nós” é um grande filme e não seria surpresa se ele ganhasse o premio de melhor película da noite. Acho, inclusive, que sua premiação seria mais justa que a dada a “Moonlight”, mesmo que tenhamos presenciado uma cara de teatro filmado. A boa construção dos personagens e a forma como interagiam foram as grandes virtudes, pois compramos afetivamente todas aquelas pessoas. Não deixe de ver.

https://youtu.be/JwQQ735NJf4

Batata Movies – Moonlight, Sob A Luz Do Luar. O Grande Vencedor Do Oscar 2017.

Cartaz do Filme

O encerramento da cerimônia do Oscar esse ano deu o que falar em virtude da tremenda trapalhada que aconteceu justamente no momento de se anunciar a maior premiação da noite, a de melhor filme. Uma infeliz troca de envelopes provocou toda a confusão e, erroneamente, “La La Land” foi anunciado como o melhor filme. Os responsáveis pela película já faziam o discurso de agradecimento quando foi feita a retificação e “Moonlight, Sob A Luz Do Luar”, foi anunciado como o verdadeiro vencedor. Isso provocou uma onda de indignação, sobretudo para os fãs de “La La Land”. Mas, “Moonlight” realmente mereceu o prêmio? Eu estava num voo cego quanto a essa questão, pois assuntos de ordem carnavalesca não tinham me permitido assistir ao filme ainda. Passado o Carnaval, corri para o Espaço Itaú para assistir ao grande vencedor da noite. E aí, tenho alguma coisa a dizer agora.

Juan, um pai postiço

Mas, no que consiste a história? Numa comunidade negra e marginalizada de Miami, temos um menininho negro, Chiron, e vemos a sua vida dividida em três partes ao longo do filme (infância, adolescência e idade adulta). O garotinho vivia com a mãe, Paula (interpretada pela bela atriz Naomie Harris, indicada para melhor atriz coadjuvante no Oscar desse ano), que era viciada em crack. O menino era supertímido e vivia sendo perseguido pelos colegas da escola. Num belo dia, ele se escondeu numa casa abandonada para fugir de uma surra e foi encontrado por Juan (interpretado por Mahershala Ali, o vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante), um traficante local. Juan fica intrigado com a forma como Chiron é fechado e arredio, simpatizando com o menininho. Mas Paula não queria saber de Chiron perto do traficante. Mesmo assim, os dois desenvolvem uma grande amizade, já que Chiron não tem qualquer apoio afetivo (a mãe vive drogada e leva homens para casa o tempo todo, hostilizando o filho seguidamente). Assim, Juan vai ser uma espécie de pai para o menino. A partir daí,  vemos todo o desdobramento da vida de Chiron, onde seu amigo Kevin tem um destaque especial em todas as fases de sua vida. Mas, infelizmente, os “spoilers” não me permitem dizer.

Chiron, profundamente humilhado…

Vamos lá. O filme mereceu ganhar o prêmio máximo deste ano? Em primeiro lugar, é um bom filme, embora eu tenha achado o desfecho muito repentino. A película tem o grande mérito de envolver o espectador paulatinamente, mas o ritmo é demasiado lento. Só que o magnetismo do filme é tão grande em torno da vidinha de Chiron que o público compra a ideia e o segue o tempo todo. E, de repente, um desfecho abrupto, do estilo “Ué, já acabou?”. A única explicação para isso em minha cabeça é a de que a intenção da película é mostrar que a vida real nada tem de espetacular e que as coisas são assim mesmo, tudo vai permanecer como antes. No máximo, uma aventura fugaz aqui e ali. Mas ainda assim, fica a impressão de que a história poderia ser um pouco mais desenvolvida, que as longas partes anteriores poderiam ser um pouco mais sintetizadas para se dar um desfecho mais movimentado para a vida adulta de Chiron.

Paula. Uma mãe que não dá suporte afetivo ao filho

Entretanto, é tudo uma questão de opção de quem escreve e dirige o filme, no caso Barry Jenkins, e devemos respeitar seu ponto de vista. Outro detalhe interessante é que esse é um filme sobre uma comunidade negra relativamente pobre, mas o tema da questão racial é somente levemente abordado, principalmente nos apelidos que Kevin dá a Chiron. Fica a impressão de que a Academia premiou esse filme neste ano em virtude das severas críticas que recebeu nos últimos dois anos, onde até acusações de racismo foram feitas. Esse ano, atores negros e filmes com temática negra foram indicados (“Moonlight” recebeu cinco indicações e recebeu três Oscars) mas, paradoxalmente, “Moonlight”, que recebeu o maior prêmio da noite, é muito mais um filme sobre a condição humana do que a questão racial. Será que isso foi uma estratégia da Academia? Ou seja, premiar um filme “negro” (ou afro-americano, como queiram) que fale o mínimo possível das questões raciais? Todas essas questões colocam em dúvida se “Moonlight” recebeu a premiação pela sua qualidade ou por apenas uma mera questão politica, embora não possamos negar que foi um filme muito bom. Quanto ao fato de se “La La Land” merecia ser o melhor filme, em primeiro lugar, ele recebeu seis Oscars, e isso já é algo muito bom, diga-se de passagem. Esse foi o ano em que se homenageou os musicais, assim como o cinema mudo já havia sido homenageado (lembram-se de “O Artista” e “A Invenção de Hugo Cabret”?) e “La La Land” foi tudo de bom. Mas fica difícil de comparar com “Moonlight” por serem dois gêneros completamente diferentes, coisa do tipo querer comparar sapato com maçaneta. Talvez “La La Land” pudesse receber o prêmio em virtude dos problemas do roteiro de “Moonlight”. Mas é difícil de se falar sobre isso, até porque havia muitos outros bons filmes. Não seria surpresa se “Manchester à Beira Mar” ganhasse o prêmio de melhor filme por exemplo. Mas o vencedor foi “Moonlight” e ponto final. Mereceu? Se considerarmos o final abrupto, creio que não. Mas nem sempre o critério de qualidade é o único que importa nessas escolhas.

Kevin e Chiron. Amizade com peculiares detalhes

Quanto aos outros dois Oscars que “Moonlight” ganhou, um foi bem merecido. Que grande atuação essa de Mahershala Ali, digna de receber o prêmio de ator coadjuvante! O ator conseguiu dar um alto grau de empatia ao seu personagem, mostrando um lado terno e afetivo de um tipo imerso num meio rude e violento. A ideia de se fazer de um traficante de drogas uma espécie de pai e vínculo afetivo para Chiron foi simplesmente genial, ajudando ao público a rever alguns estereótipos e preconceitos que rondam sua mente. Já o prêmio de roteiro adaptado, bom, eu não gostei muito do desfecho do filme, como já disse. Mas devemos nos lembrar de que esse filme também ganhou o Globo de Ouro de melhor filme de drama. É realmente tudo uma questão de gosto.

Chiron adulto. A história poderia ser mais bem trabalhada aqui…

De qualquer forma, não deixe de assistir “Moonlight”, pois é um filme, acima de tudo, que fala da condição humana e que mostra como o ser humano somente consegue se construir como indivíduo, para o bem ou para o mal, com as lições e vínculos que estabelece com outros seres humanos. É o tipo de película que vai te deixar comovido.

https://youtu.be/I9Si4dQw9-E

Batata Movies – Logan. Um Digno Desfecho.

Cartaz do Filme

E finalmente chegou a primeira boa estreia cinematográfica do ano para quem gosta de super heróis, sobretudo os da Marvel. “Logan” é o último filme de Wolverine interpretado por Hugh Jackman, o único ator que participou de todos os filmes dos X-Men e ainda teve uma carreira solo com seu personagem. E podemos dizer que este foi, disparado, o melhor filme de Wolverine e um dos melhores do Universo de X-Men, pois “Primeira Classe” foi também muito bom. Um digno desfecho a um super herói muito cultuado. Faremos, agora, uma pequena sinopse que vai conter alguns “spoilers”.

Um Wolverine envelhecido

O ano é 2029 e Logan está envelhecido e doente, trabalhando como motorista de aluguel, numa espécie de “Uber”. Seu corpo não se regenera tão bem como antes e toda pancadaria em que se envolve lhe deixa umas sequelas pesadas. Charles Xavier (interpretado por Patrick Stewart, o eterno capitão Picard de “Jornada nas Estrelas”) ainda está vivo e tem cerca de noventa anos. Ele precisa viver à base de medicamentos, pois agora tem convulsões e cada convulsão sua é uma espécie de arma de destruição em massa que provoca muitos estragos. As coisas realmente não iam bem e os heróis de outrora definhavam. Até que, um belo dia, uma enfermeira mexicana aparece com uma menininha, Laura (interpretada por Dafne Keen), pedindo uma desesperada ajuda a Logan, que não quer saber de se envolver mais em confusão. Laura é uma criação de laboratório, uma mutante do projeto X, que pretende fazer mutantes artificiais para combater os mutantes já existentes e extingui-los. Há poucos mutantes no mundo e eles são caçados impiedosamente pelos responsáveis do projeto X. Várias crianças além de Laura faziam parte desse projeto e desenvolveram vontade própria, saindo do controle. Os responsáveis pelo projeto X decidiram exterminá-las e a tal enfermeira conseguiu salvar Laura, que acaba nas mãos de Wolverine e de Xavier. Agora, os dois terão que proteger a menininha dos cruéis vilões (embora ela não precise tanto de proteção assim) e levá-la para uma espécie de “Éden” que somente existe nas revistas em quadrinhos dos X-Men. Complicado.

Precisando salvar a filhinha…

Bom, o filme tem todas as cenas de ação, violência e pancadaria do mundo que qualquer fã gosta. São cenas excelentes e que despertam muita adrenalina, como todo bom filme do Wolverine deve ter. Mas esse filme teve algo a mais. Um futuro totalmente distópico para os mutantes, por exemplo. Ver os antigos heróis velhos e doentes foi uma coisa que realmente pesou na alma. Xavier meio gagá, meio confuso e sem domínio de seus poderes, uma caricatura do cientista brilhante de tempos mais antigos. Um Logan deprimido, rabugento e debilitado. E um grupo de caçadores de mutantes jovem e violento, que nossos envelhecidos heróis não conseguiam dar conta. E aí, é dado todo o espaço para Laura, a X-23, que toca um terror geral. Essa atriz, a Dafne Keen, foi muito bem em seu debut no cinema. A menina tinha uma cara de má e era o catiço puro!!! Ela foi responsável por muitos dos “fucks” e “shits” soltados por Logan ao longo do filme. Aliás, lanço desde já o desafio: quantos “shits” e “fucks” o Logan falou no filme inteiro? Quem tiver paciência para contar… mas voltando a Dafne Keen, a mocinha arrasou. Só esperemos que isso não prejudique a carreira dela e a atriz mirim fique rotulada como X-23 e filha de Logan, já que seu papel teve muito destaque na película.

… e Charles Xavier

Assim, “Logan” é um filme obrigatório para todos os fãs de super heróis. Foi um desfecho digno e honrado para o personagem de Wolverine e para a participação de Hugh Jackman em toda essa verdadeira saga (o termo franquia é muito pequeno para ser usado nesse caso). Um filme que nos leva às lágrimas no final. E um daqueles filmes do Universo X-Men que vale a pena você ter o DVD, ao contrário de alguns outros. É um programa imperdível!

 

Batata Movies – A Bailarina. À Francesa

Cartaz do Filme

Uma interessante animação passou em nossas telonas. “A Bailarina” é um filme ambientado num cenário que não estamos muito acostumados a ver em animações: A Paris da virada do século XIX para o XX, numa época em que a Torre Eiffel ainda estava em construção e que a Estátua da Liberdade era construída em solo francês para ser depois transportada para os Estados Unidos. Somente esses detalhes já chamam a atenção para a película. Mas essa animação não é só isso. Nós temos outras virtudes.

Felícia tem um grande sonho

Vemos aqui a história de Felícia e Victor, duas crianças que vivem em um orfanato na França e querem fugir para Paris. O sonho de Felícia é ser bailarina do Opera de Paris e o de Victor, ser um grande inventor. Os dois conseguem fugir do orfanato e chegar à cidade-luz. Mas um acidente faz as crianças se separarem, não sem antes eles marcarem um ponto de encontro e um horário. Felícia entra escondida no Opera de Paris e foi encontrada por um funcionário, mas foi protegida pela faxineira. A mocinha, então, vai ficar ao lado da faxineira, que inicialmente a repudiou, mas que depois aceitou a ajuda dela para fazer a limpeza do prédio de uma senhora muito má que era a sua patroa. Essa senhora tinha uma filha que havia recebido uma chance para um teste no corpo de bailarinas do Opera, mais por questões financeiras, o que irritou o professor das bailarinas, muito rigoroso com as meninas por sinal. A carta que dava acesso ao teste acabou parando nas mãos de Felícia, que se apresentou no lugar da filha rica. Mas Felícia, que estava se destacando nas aulas, onde somente uma bailarina seria escolhida, foi descoberta. Entretanto, ela não foi eliminada pelo professor, que a manteve na disputa, sendo que a órfã precisava ganhar a todo custo ou seria expulsa do Opera e retornaria ao seu orfanato. Para isso, Felícia contaria com a ajuda da faxineira, que era uma antiga bailarina do Opera e a treinaria.

Junto com seu amigo Victor, Felícia irá a Paris

É uma historinha simples, mas bonitinha. O grande barato é que alguns personagens que, aparentemente, eram extremamente rudes, aos poucos vão mostrando seu coração mais mole e ficam amigos da órfãzinha que quer ser bailarina, casos da faxineira, do professor, da filha da vilã e até do vigia do orfanato, numa mostra de que nem sempre uma pessoa é totalmente boa ou má. Somente a vilã era ruim toda a vida e não teve jeito, esse personagem caiu no estereótipo. A amizade entre Felícia e Victor foi outro fator interessante, pois à medida que ela ficava mais íntima do Opera, mais ela se afastava de seu antigo amigo, o que gerou turbulências entre os dois. Falar como foi o desfecho dessa amizade talvez nem seria um “spoiler” de tão óbvio que ele é. Ou seja, “A Bailarina” é diversão pura, não trazendo nada de novo em termos narrativos. Mas, mesmo assim, é uma animação atraente e instigante, pela determinação da menininha órfã em dançar o “Quebra Nozes”, de Tchaikovsky com a primeira bailarina do Opera.

Treinando muito para conseguir seu objetivo

Assim, vale a pena se divertir com “A Bailarina”, pelo ambiente envolvido na história, que difere um pouco do que vemos nas animações da Disney, por exemplo. Se é uma história que nada apresenta de novo, ainda assim ela é muito divertida e entretém. As menininhas que estavam na sala adoraram, pois ao final do filme, elas rodopiavam e rodopiavam em direção à saída. Vale a pena dar uma conferida.

Batata Movies – Sing, Quem Canta Seus Males Espanta. “Fama” Animal.

Cartaz do Filme

O gênero musical nem sempre aparece muito em cinemas. Temos até visto nos últimos anos filmes inspirados em musicais da Broadway, que parecem simples decalques do que é visto no teatro, exemplos de “Evita” e “Os Miseráveis”. Esse ano, tivemos a gratíssima surpresa de “La La Land”, que foi o que mais se aproximou dos antigos musicais da RKO e da Metro. E também tivemos uma animação. “Sing, Quem Canta Seus Males Espanta”, lembra um pouco outro musical lá de meados dos anos 70, 80, que era o “Fama”, onde uma escola de música e dança de mesmo nome selecionava talentos em todas as áreas da arte musical. E aí, víamos pequenos casos particulares de alunos dessa escola em busca do estrelato.

Um coala dono de teatro e sua secreátaria lagarta

Bom, em “Sing” não temos exatamente uma escola de música e dança, mas um teatro cujo dono é um coala (!) chamado Buster Moon. Ele está numa tremenda pindaíba financeira e é ameaçado de perder seu teatro, herdado do pai, para um banco. É aí que Moon tem uma grande ideia. Ele vai fazer um concurso para descobrir novos talentos e fazer um show para arrecadar muito dinheiro e pagar suas dívidas. Mas ele somente tem 1000 dólares em caixa para o prêmio do vencedor. Ele pede para sua secretária, uma simpática senhora lagarta com um olho de vidro (!!!) para fazer um cartaz para o concurso, só que um erro de digitação da desengonçada réptil fez com que o cartaz tivesse o prêmio alterado para cem mil dólares (!!!!), o que atraiu uma verdadeira bicharada para o concurso e iria colocar Moon em maus lençóis.

Um concurso com um prêmio muito alto

Engraçadinho o enredo, não? O mais curioso é que essa animação da Illumination Entertainment é um musical, onde vários personagens que buscam o sucesso na carreira têm suas diferentes histórias de vida, cujo prêmio irá aliviar seus problemas e tensões. E o filme tem uma trilha sonora com muitas músicas conhecidas (indo de “My Way”, cantada pelo Sinatra até “Under Pressure”, do Queen com David Bowie, passando por Kate Perry e tudo), só que cantadas pelos bichinhos, o que foi algo muito engraçado, sobretudo no processo de seleção, onde uma verdadeira fauna cantante desfilou pelo palco, e também no show em si, onde os finalistas do concurso tinham números bem característicos e até uma composição própria de uma porquinha-espinho roqueira.

Uma porquinha dona de casa que quer ser estrela

Assim, se “Sing, Quem Canta Seus Males Espanta” não foi uma animação tão boa quanto “Moana, Um Mar de Aventuras”, ainda assim ela foi muito engraçada, por ser um musical com bichinhos cantando. E como os musicais estão em falta hoje em dia, sempre é legal você celebrar quando aparece um, até se for em animação. E tivemos dois este ano, se nos lembrarmos de “La La Land”. Não deixe de levar uma criança ao cinema e, se você não tiver uma, não faz mal, pode ir sozinho também sem medo e vergonha, que você irá se divertir.

Batata Movies – Resident Evil 6: O Capítulo Final. Game Over?

Cartaz do Filme

Mais um filme inspirado em jogos de vídeo game chegou às nossas telonas. “Resident Evil 6: O Capítulo Final”, vem para, aparentemente pôr fim à saga de seis filmes dessa franquia. Confesso que esse foi o meu primeiro “Resident Evil” e nada sei dos cinco outros filmes. De qualquer forma, vou fazer um esforço aqui para analisar esta película em particular.

Alice vai botar para quebrar uma última (?) vez

Vemos aqui a história de Alice (interpretada pela bela Mila Jovovich), uma mulher que vem matando zumbis há muito tempo (exatamente cinco filmes). Tudo começou com uma espécie de vírus que foi lançado no planeta Terra por um empresário totalmente pirado na batatinha, que responde pela alcunha de Dr. Isaacs (interpretado por Iain Glen). Sua ideia é destruir a raça humana e começá-la de acordo com seus parâmetros e os da empresa que dirige, a Umbrella (Guarda-Chuva?!?!). Mas nossa Alice, que é um clone da empresa, quer evitar isso a todo custo, e proteger os poucos humanos que restam de uma horda de zumbis e monstros assassinos forjados geneticamente. Para isso, ela precisa ir à sede da tal empresa pegar um antivírus e espalhá-lo por aí para acabar com os zumbis. Mas essa não será uma tarefa fácil, já que vários clones do Dr. Isaacs a perseguem dentro de carros blindados seguidos por exércitos zumbis inteiros. Para cumprir essa escabrosa tarefa, Alice vai contar com a ajuda de seus amigos que já estiveram com ela nos outros longas. E tome muita porrada, bomba e tiro, com doses extremas de violência.

Descontração nas filmagens

É o tipo do filme em que a gente só vê uma violência extrema quase o tempo todo, chegando a ficar muito maçante e enjoativo. Se os outros cinco filmes foram dessa forma, não me admira a sala do Cinemark Botafogo 6 ter ficado tão vazia durante a exibição da película. Ou seja, pelo visto, ninguém aguenta mais ver esse filme com essa temática e essa forma de violência repetitiva e cansativa. Nem a bela presença de Mila Jovovich ajuda muito, pois ela só mata, mata, mata o tempo todo, além de correr, correr e correr. E sempre ela é perseguida pelos monstrengos mais feios do mundo. O filme até fica um pouco mais atraente quando descobrimos a origem da personagem protagonista, mas é muito pouco para dizermos que esse filme é bom. Ou seja, não dá para dizer muitas coisas boas dessa película, que definitivamente é um saco. Nem os zumbis foram bem abordados no filme, sendo mais um pano de fundo que a mocinha devia suplantar para ir atrás dos verdadeiros vilões, todos humanos. E o pior de tudo: no desfecho do filme, ficou uma insinuação de continuação no ar. Será que ainda dá caldo? Sempre há fãs para tudo.

Um guarda-chuva (???) como vilão

Dessa forma, acho que nem os fãs de zumbis vão gostar muito desse “Resident Evil 6”, que engrossa a lista de decepções de filmes baseados em videogames (“Assassins’ Creed” também não ajudou muito). Esse filme é indicado apenas a fãs inveterados de “Resident Evil”.