Batata Antiqualhas – Spock e Leonard – Dualidade Que Se Completa (Parte 6)

     Dorothy Fontana, a grande roteirista de “Jornada nas Estrelas”

Mais outro episódio marcante para o personagem Spock foi “Deste Lado do Paraíso”, escrito pela grande Dorothy Fontana, uma secretária de Roddenberry que se tornou uma das melhores escritoras de “Jornada nas Estrelas”. Pelo machismo latente da época, ela encobria o seu nome com os créditos D. C. Fontana. A escritora chega a Nimoy e diz que quer escrever uma história de amor para Spock, algo que deixa o ator com as orelhas em pé. Mas Dorothy fez a coisa na medida certa, pois o amor entre Spock e uma moça que havia se apaixonado por ele no passado, Leila Kalomi, era provocado por esporos liberados por uma plantinha num planeta onde havia uma colônia terrestre. A coisa deu tão certo que esse hoje é um dos episódios mais cultuados de “Jornada nas Estrelas” e o mais adorado pelo público feminino. Jill Ireland, a atriz que interpretou Leila Kalomi, era esposa de Charles Bronson na época e, por ser muito bonita (era uma estonteante lourinha de olhos azuis), era acompanhada pelo ator que só fazia papéis durões, sendo muito ciumento e possessivo com relação à moça, não sem razão, segundo Nimoy, que se sentia muito desconfortável em ter que beijá-la nas gravações do episódio, na presença do maridão ciumento. Este episódio também é marcado pela “surra” que Spock dá em Kirk, pois as pessoas só se livravam dos esporos num ataque de raiva e o capitão realmente irritou o seu primeiro oficial para isso. O problema é que um vulcano é três vezes mais forte que um humano. Dá para imaginar como Kirk apanhou.

                  A deslumbrante Jill Ireland

Um dos episódios mais vulcanos foi “Tempo de Loucura”, escrito por Theodore Sturgeon, consagrado escritor de ficção científica. Foi ele que criou o termo “Vida Longa e Próspera”. A cada sete anos, os vulcanos devem acasalar, caso contrário morrem. O ritual de acasalamento se chama Koon-Ut-Kal- If-Fee, também conhecido como Pon Farr. Kirk leva o amigo para o planeta Vulcano e, por força das circunstâncias, é obrigado a fazer uma luta de morte com Spock, já que a prometida do primeiro oficial era apaixonada por outro vulcano e, de forma bem lógica, ela usou os meandros do ritual para meter o capitão e Spock numa tremenda sinuca de bico. McCoy conseguiu convencer a todos que iria injetar em Kirk uma espécie de estimulante para compensar a atmosfera rarefeita de Vulcano. Mas era uma espécie de tranquilizante que simulou a morte de Kirk. Convencido de ter matado seu capitão, Spock diz que vai entregar-se à corte marcial, mas encontra Kirk vivo na enfermaria, esboçando um largo sorriso na frente de McCoy e da enfermeira Christine Chapel (interpretada por uma Majel Barrett agora loura – no piloto “A Jaula” ela tinha longos cabelos negros –  sendo apaixonada por Spock). Nimoy não gostou muito disso, pois em sua intenção em proteger as características de seu personagem, achou que deveria haver um encontro reservado entre Spock e Kirk. Mas a plateia das convenções de “Jornada nas Estrelas” vai à loucura quando vê a explosão emocional de Spock perante McCoy e Chapel, vibrando ainda mais quando o vulcano se justifica dizendo que sente um alívio lógico pela frota estelar não ter perdido um de seus melhores oficiais.

Celia Lovsky tinha dificuldade em fazer a saudação vulcana

Foi também em “Tempo de Loucura” que apareceu a famosa saudação vulcana, sendo que poucas pessoas conseguiam fazê-la. Celia Lovsky, a sacerdotisa T’Pau do episódio, tinha que deixar a mão de prontidão antes de começar a rodar a cena e torcer para a mão não desfazer a saudação. Outro que tinha enorme dificuldade era Shatner (nas palavras de Nimoy, também pudera, pois ele não era vulcano!). Mas como a saudação vulcana apareceu? Isso é tema para nosso próximo artigo. Até lá!!!

Um sorridente Spock em “Tempo de Loucura”, que leva os fãs ao delírio!!!