Batata Séries – Jornada Nas Estrelas Discovery (Episódio 12, Temporada 1). Ambição Desmedida. Comendo O Saru.

                                      O encontro com a Imperatriz…

O décimo-segundo episódio de “Jornada nas Estrelas Discovery” prossegue a saga do Universo Espelho, onde parece que fica bem claro que esse foi o melhor arco da primeira temporada, cheia de problemas e sub-arcos. Esse é um episódio marcado, basicamente, pela descoberta, ao seu final, do que muitas pessoas nas redes sociais já desconfiavam: de que Lorca era do Universo Espelho e todo aquele clima negativo da Discovery era consequência do comportamento tacanho de seu capitão. Mesmo assim, devemos nos lembrar de que a Federação deu também algumas mostras do comportamento errático de Lorca, principalmente quando foi dito que a mesma caçava tardígrados para colocar a tecnologia do motor de esporos em outras naves da Federação em virtude da guerra. Esse ainda não é um comportamento condizente com os procedimentos da Federação Unida de Planetas, constituindo-se num furo de roteiro. Assim, nem essa revelação de Lorca ser do Universo Espelho conseguiu sanar todos os problemas que vimos na série. Pelo menos, rolou uma trairagem entre Lorca, a Imperatriz e Burnham, onde a monarca via Burnham como uma filha, Lorca como seu braço direito e como pai de Burnham, onde depois, com esta mais crescida, sendo seduzida por Lorca, agora também uma espécie de garanhão. Só queria saber onde os biscoitos chineses e os pingos se encaixam em todo esse fuzuê.

Esse também foi um episódio marcado pelo encontro de Burnham com a Imperatriz Georgiou, que teve algo que gerou muita polêmica entre os fãs. Bem ao início do encontro com a Imperatriz, essa pede a Burnham para escolher um kelpiano. Como os kelpianos eram vistos como escravos no Universo Espelho, Burnham pensou que a escolha era apenas para esse propósito. Mas, na verdade, o kelpiano era o prato principal da janta entre Burnham e a Imperatriz. Assim, podemos dizer que Burnham comeu um alienígena da espécie do Saru. Alguns fãs levaram isso numa boa, outros acharam demais. Sei não, mas o trauma em Burnham provocado por esse “canibalismo” humanoide vai ter muito pouco tempo para ser desenvolvido quando toda uma gama de questões terá apenas três episódios para ser resolvida até o fim da temporada. Aliás, esse novo formato de série (com quinze episódios de cerca de quarenta e cinco minutos) parece fazer com que as coisas tenham que ser logo resolvidas, tornando a coisa um tanto que jogada e pouco desenvolvida. E, ainda mais, como ficou parecendo que muita coisa foi sendo mudada ao longo dos episódios (guerra klingon, tardígrados, Mudd, Universo Espelho), como se os produtores estivessem tateando o rumo certo ao longo da produção dos episódios, deu-se a impressão de que tudo ficou ainda mais jogado. A gente espera que, na segunda temporada, haja uma espécie de arco único e uma coesão maior, pois vários arcos numa temporada funcionariam melhor se isso fosse no formato antigo de série (cerca de vinte e cinco episódios numa temporada).

                                             Comendo um kelpiano…

Uma coisa que não encaixou bem na minha cabeça foram as negociações entre Burnham e a Imperatriz. A Burnham do Universo Espelho estava conspirando para tomar o poder da Imperatriz e, por isso a mesma iria executar a primeira. Foi aí então que Burnham abriu o jogo e disse que era do Universo Prime e que precisava dos dados da Defiant para voltar. A Imperatriz disse que tais dados não seriam úteis, pois quando a tripulação da Defiant passou de um Universo a outro, ela enlouqueceu. Foi aí que Burnham disse que a Discovery passou de um Universo a outro com outra tecnologia, e entregou de bandeja o motor de esporos à Imperatriz na negociação para a Discovery voltar ao Universo Prime. Cá para nós, tem que ser muito trouxa para se fazer isso. Outra coisa que incomodou bastante foi associar a sensibilidade à luz como uma característica dos humanos do Universo Espelho para explicar essa característica em Lorca no início da temporada. Nos outros episódios de Universo Espelho na Série Clássica, em Deep Space Nine e em Enterprise, essa característica de fotofobia jamais apareceu, em mais uma forçada de barra dos roteiristas de Discovery.

Tivemos, ainda, dois momentos menos interessantes. A parte em que Stamets volta à vida mas que, enquanto ele estava em coma, conheceu seu contraparte do Universo Espelho e falou com um Culber do além. Aqui, o fator principal foi ver que a rede micelial foi corrompida pelo Stamets do Universo Espelho, que queria usá-la em benefício próprio, e isso estava provocando a destruição de todas as coisas. Caberá ao Stamets do Universo Prime achar um jeito de salvar a rede micelial que, aparentemente, não tem mais salvação. Aqui fica a grande curiosidade: será que essa rede micelial, até por não existir na série clássica, irá mesmo a pique e Stamets não conseguirá salvá-la, o que encaixaria redondinho no cânone, ou os roteiristas da série ainda vão tentar salvar a bichinha e trazer mais problemas? Na minha modesta opinião, acho que essa rede micelial deveria ser riscada do mapa logo de uma vez, até porque toda a sua concepção é muito forçada, até para a liberdade poética de uma ficção científica, pois imaginar um tecido vivo que permeia todo o Universo quando sabemos que o espaço sideral é o lugar mais inóspito que existe para se manter a vida (repito que fazer um motor que usasse a matéria escura no Universo seria muito mais plausível) é um pouco demais. Que esses micélios sejam enterrados de vez, pois eles já estão enchendo o saco, e a boa e velha dobra espacial ressurja, em coerência com o cânone.

                            Stamets e Stamets…

O outro momento menos interessante, adivinhem qual foi? Isso mesmo, Tyler! O infeliz todo amarrado lá na enfermaria, gritando que é um klingon, etc. Os médicos não sabem o que fazer com o pobre diabo. Saru vai à cela de L’Rell para perguntar se ela pode aliviar o sofrimento e, entrega, também de bandeja, à klingon a informação de que está no Universo Espelho (ai, ai). A klingon diz que Voq se sacrificou espontaneamente pela sua ideologia e que isso é guerra. Aí, Saru perde a paciência e, no melhor estilo “Toma que o filho é teu”, coloca Tyler junto com ela na cela. Aí, a klingon decide ajudar e diz que o processo possa ser revertido. Espero que a primeira coisa que L’Rell faça em Tyler é consertar a língua dele, até para ele parar de falar “Khalexxxx”. Os klingons dessa série precisam de fonoaudiólogos klingons do cânone, para falar klingon na pronúncia correta.

                                                   Lorca, o Sedutor!!!!

Bom, agora faltam apenas três episódios para o fechamento das muitas pontas soltas da temporada. Como Lorca vai interferir na volta (ou não) da Discovery para o Universo Prime? Ele vai tomar o trono? Tyler voltará ao normal e cairá nos braços de Burnham? E nossa protagonista? Parará com seus monólogos fora de hora e ficará, pelo menos, um pouco menos trouxa? Stamets conseguirá salvar a rede micelial? E Saru? Ele mandará Burnham fazer aquilo que rima com o nome dele e será o capitão da Discovery? Muitas emoções até o final. Só espero que os roteiristas não usem uma reação interfásica para explodir tudo de uma vez…

Quer ler mais artigos sobre Jornada nas Estrelas Discovery? Veja aqui