Batata Movies – Bohemian Rhapsody. De Arrepiar.

Cartaz do Filme

E temos o tão esperado “Bohemian Rhapsody”, o filme sobre Freddie Mercury e o grupo Queen. Caramba, o que dá para falar aqui? Em primeiro lugar, quero pedir ao leitor para colocar toda essa resenha sob suspeita, pois eu sou um declarado e ardoroso fã do Queen. Se os Beatles e os Rolling Stones para muitos são considerados os dois maiores grupos de rock de todos os tempos, creio que, para quem vivenciou mais a década de 80, o Queen tem esse gabarito e, para minha pessoa (com todo respeito a outras opiniões, obviamente), o Queen é o maior grupo de rock de todos os tempos. Logo, será muito difícil fazer uma análise distanciada e não tendenciosa dessa película, mas vamos fazer um esforço. Desde já, peço perdão se não conseguir.

Rami Malek, um ótimo Freddie Mercury

Inicialmente, vamos falar do filme muito por alto. Esse é mais um filme de Mercury do que do Queen. Talvez fosse melhor se tivéssemos uma película que desse igual peso para os quatro integrantes da banda. Mas quando você vê os nomes de Brian May e Roger Taylor como produtores musicais executivos do filme, a gente sente que eles quiseram dar uma justa homenagem ao vocalista e, principalmente, amigo, morto pela AIDS em 1991. De qualquer forma, um destaque maior para John Deacon, por exemplo, não faria mal a ninguém.

Uma ótima caracterização do Queen

Uma outra coisa que incomodou um pouco foi o fato de não se seguir a cronologia correta da carreira da banda. Assim, vemos coisas que aconteceram em 1985 sendo citadas antes de 1980, por exemplo. E a gente precisa se adaptar um pouco a isso no transcorrer da exibição. Logo, ficava a dúvida de qual evento acontecia antes ou depois de outro. Assim, a gente precisa enxergar mais o filme como uma sucessão de temas abordados e inter-relacionados onde duas situações distantes no tempo podem ter sido colocadas lado a lado para reforçar o que era abordado.

Início de carreira…

Mais outro problema (e aí podem colocar na conta da histeria de fã mesmo) foi o fato de que a música de Roger Taylor, “I’m in Love With my Car” ter sido mencionada em tom de piada e de troça. Mesmo que ela tenha sido colocada em pé de comparação com “Bohemian Rhapsody” (o que realmente é impossível de se fazer), não ficou de bom tom zoar a música, que também é muito bonita. Creio que, se foi colocada a piada em cima da música, pelo menos ela poderia ter sido executada num dos shows mostrados no filme para que as pessoas pudessem ter contato com ela e tirarem suas próprias conclusões. Outra música que eu esperava muito que aparecesse no filme era “Death on Two Legs”, que critica severamente os Midas da indústria fonográfica da época. A gente vê essa situação de conflito no filme, todo o terreno preparado para a execução de “Death on Two Legs” e… nada. Foi um desperdício de oportunidade.

Um Mike Myers irreconhecível…

Disseram por aí que o homossexualismo de Mercury ficou um pouco acobertado no filme. Não foi essa a minha impressão. O assunto foi abordado de forma respeitosa, sem entrar nos altos escândalos e orgias que se diziam que o vocalista do Queen praticava. Sei não, me pareceu que essa necessidade de se escancarar a vida de Mercury, bem ao estilo “biografia não autorizada” fica meio na conta daqueles que querem dissecar a vida de celebridades para ter materiais para publicar em tabloides de fofoca. Aliás, essa crítica a um comportamento mais perverso da mídia fica muito evidente no filme.

Love of my life…

Até agora, eu falei mais dos problemas do filme, ficou até parecendo que a película foi uma porcaria. Mas vamos agora entrar nas virtudes. Em primeiro lugar, Rami Malek. Quando vi o trailer, confesso que esperava coisa melhor para Mercury. Ele parecia um cara artificialmente caracterizado na maquiagem para dar mais impacto. Só que aí ele aparece no remake de “Papillon”, deixando muita boa impressão em sua atuação. E esse é o grande trunfo de Malek. O cara tem muito talento e força de atuação. Ele consegue superar sua não semelhança e caracterização artificial da maquiagem para incorporar Mercury em sua atuação de uma forma muito impressionante. A gente compra o Mercury de Malek sem medo. Parece até que o cara ressuscitou. E não falo da performance nos shows, onde isso é mais evidente, e sim no momento em que ele não canta e interage com as demais pessoas. Outra coisa que faz o filme ser muito bom é a interação dos membros do grupo, para o bem e para o mal. Não se teve medo de mostrar os desentendimentos e brigas, onde até as vias de fato chegaram a acontecer, além de se desvelar a natureza “esquentadinha” de Taylor (o que magoa um pouco minha pessoa, pois sou muito fã de Taylor, interpretado por Ben Hardy). Dentre os integrantes do Queen, o que mais se parecia fisicamente era Brian May (interpretado por Gwilym Lee). Já John Deacon (interpretado por Joseph Mazzello) foi bem retratado em sua serenidade. Uma coisa que chamou muito a atenção foi um Mike Myers irreconhecível fazendo o papel de Ray Foster, um dos Midas da indústria fonográfica com o qual o Queen se desentendeu. No mais, o filme é muito divertido em referências. É claro que as músicas do grupo eram vistas com muito carinho e celebradas. Mas era muito mais saboroso quando músicas menos conhecidas (ou, talvez, menos executadas) do grupo apareciam, nem que fosse uma referência, casos, por exemplo, de “Doing All Right”, “Lazing on the Sunday Afternoon” (cantarolada por Mercury) ou “Seven Seas of Rhye” Pena que não apareceu muita coisa do LP Queen II, e isso até podia ter acontecido, pois o experimentalismo da banda foi bem explorado em uma certa altura da película. Referências divertidas também aparecem, como as meninas que pedalavam bicicletas numa das festas de Freddie (as “Fat Bottomed Girls” em sua “Bicycle Race” do LP “Jazz”), ou então o caminhão com um enorme “Mack” em seu capô (Mack foi produtor de álbuns do Queen). Outra coisa que torna o filme grandioso é a opção por não se fazer uma choradeira com a AIDS de Mercury. Sim, ela aparece no filme, mas não se foca no sofrimento do cantor como se poderia esperar nesse caso. Esse é um filme de momentos tristes, mas não trágicos. E um filme onde brigas podem ser resolvidas com reconciliações, seja na banda, seja na própria família de Freddie, muito bem espelhada em sua origem outsider, o que dá mais credibilidade a todo o conjunto.

Embates com a imprensa…

No que mais o filme foi bom? Porra, foi um filme do Queen, cacete! A gente cantava as músicas, estava com nossos ídolos em sua trajetória de vida, vimos seus altos e baixos. A empatia e afinidade com os personagens reais do filme parecia ter cinquenta milhões de anos!!! O que vocês mais querem que eu diga???

No Live Aid…

Bom, querido leitor, espero ter dado a você uma análise a mais isenta possível (creio que foi algo impossível, principalmente depois do parágrafo acima). Só posso dizer que fui às lágrimas em muitas partes do filme, sobretudo ao seu final, e junto com os fãs do estádio. Fiz questão de puxar as palmas ao fim da sessão que assistia, no que fui prontamente atendido pelo público. O filme é do caralho (olha só o tamanho da resenha que deu!), não deixem de ver. E não deixem de ver, depois do trailer abaixo, as duas músicas que tinham que estar no filme, “I´m In Love With My Car” e “Death On Two Legs”.

Um comentário em “Batata Movies – Bohemian Rhapsody. De Arrepiar.”

  1. Carlos.

    A Rede Cinemark, incluindo o Botafogo Praia Shopping,está por exibir o filme com todas as letras traduzidas/legendadas. Vale a pena ficar atento.

    Senti a falta destas traduções no filme. O que cantam deve exprimir bastante o que vivem.

    Em “Nasce Uma Estrela” (2018) de Bradley Cooper, todas as letras foram traduzidas. Isto contribuiu para que entendêssemos melhor os personagens.

    Abs,

    Nelson – 18/11

Os comentários estão desativados.