Batata Books – Império E Rebelião: O Fio Da Navalha. Leia E Os Piratas.

                Capa do Livro

A Editora Universo Geek lançou mais um livro da saga de “Guerra nas Estrelas”. Sob o selo “Legends”, “Império e Rebelião: O Fio da Navalha”, de Martha Wells, é um livro mais centrado na Princesa Leia, bem ao gosto do estilo do empoderamento feminino atual e, como o próprio título sugere, coloca nossa amada princesa na popular sinuca de bico, numa trama ardilosa em que Leia terá que ter muito jogo de cintura para lidar com as muitas adversidades que aparecem pelo caminho.

                  Leia numa situação espinhosa…

Mas, no que consiste a história? Estamos entre os Episódios IV e V, onde a Aliança Rebelde é implacavelmente seguida pelo Império e ela precisa montar a sua base no planeta gelado de Hoth. Numa negociação pela compra de recursos para a base, Leia e Han Solo partem para uma viagem com o intuito de fechar o acordo. Entretanto, eles caem numa armadilha em que serão atacados por forças do Império. Uma sucessão de acontecimentos colocará nossos protagonistas frente à frente com uma nave pirata cujos tripulantes são originários de Alderaan, o mesmo planeta de Leia, destruído pela Estrela da Morte. Esses piratas estavam endividados com uma corporação pirata ainda maior, que poderia muito bem entregar Leia ao Império caso soubessem da verdadeira identidade dela. Para piorar a situação, o Império tem um agente infiltrado dentro da Aliança que poderá colocar tudo a perder. Leia, que teve a tripulação de sua nave seriamente afetada pelo ataque, buscará resgatar a tripulação de outra nave que será aprisionada pela corporação pirata com o objetivo de vender os membros da tripulação como escravos, e ainda vai ter que lidar com os piratas de seu planeta natal, onde ficará aquela situação ambígua de os piratas de Alderaan serem, ao mesmo tempo, criminosos e dedicarem uma grande devoção à princesa enquanto sobreviventes da tragédia que assolou seu planeta. O problema é que o tal agente imperial infiltrado e o próprio Império estão à espreita.

             Han Solo. Participação secundária…

Esse é um livro de mulheres, como foi dito acima. Além de Leia, a líder dos piratas de Alderaan e a líder da corporação pirata também são do sexo feminino e há uma interação grande entre essas personagens, que assumem realmente uma posição central. Han Solo, por exemplo, tem uma posição mais secundária na história, enquanto que Luke Skywalker e Chewbacca praticamente são coadjuvantes, aparecendo pouco ao longo da história. Isso pode até incomodar um pouco os fãs, mas creio que essa situação é bem compensada pela boa construção de Leia no livro, onde seus pensamentos, medos, indecisões e decisões são frequentemente mencionados, sobretudo nas relações com Metara, a líder dos piratas de Alderaan, muito insegura perante Leia, e Viest, a líder da grande corporação pirata, uma mulher perversa e cheia de caprichos.

O livro tem um pequeno problema, sendo um tanto maçante na sequência em que Leia e os piratas de Alderaan estão no grande asteroide de Viest. Aqui a história se preocupou muito em contar como era o interior do asteroide em ricos detalhes, à medida que nossos personagens se deslocavam por ele. Tal detalhismo tornou a coisa meio arrastada e sem ação, ao contrário do que acontece mais ao fim do livro, onde a ação frenética torna a leitura muito mais rápida. Confesso que essa descontinuidade incomodou um pouco.

Ainda assim, “Império e Rebelião: No Fio da Navalha” é um bom livro, pois colocou Leia em dilemas éticos e morais pesados, além de obrigar nossa personagem a assumir uma postura diplomática e estratégica muitas vezes quando ela interagia com os demais personagens do livro, seja com Metara, seja com Viest, seja com os imperiais. E é curioso perceber que Leia e Solo ainda não têm um relacionamento amoroso aqui, o que torna a interação entre os dois ainda um pouco dura e que nos dá a chance de presenciarmos umas situações um pouco engraçadas. Vale a pena a leitura, principalmente para as fãs de Leia e os fãs de “Guerra nas Estrelas” em geral.

      Metara, uma pirata de Alderaan…

Batata Books – Battlefront. Finalmente A Guerra Chega Às Estrelas.

                       Capa do Livro

Mais um lançamento da Editora Aleph. “Battlefront”, escrito por AlexanderFreed, traz finalmente um clima real de guerra ao Universo de “Guerra nas Estrelas”. Se a saga de George Lucas sempre nos mostrou um lado mais fantasioso e de aventura, com a guerra em si se expressando mais como um pano de fundo, “Battlefront” vem corrigir essa impressão até certo ponto incômoda e traz em cores vivas todos os horrores da guerra. Ao ler as páginas do livro, parece que assistimos a um filme do naipe de um “Platoon” ou “O Resgate do Soldado Ryan”, ou seja, com cenas violentas e sensações de perdas arrebatadoras. Conhecido mais como um jogo de videogame, “Battlefront” em seu formato de livro é mais uma grata surpresa que enriquece a franquia de “Guerra nas Estrelas”.

Mas, no que consiste a história? Ela se passa entre os Episódios IV (“Uma Nova Esperança”) e V (“O Império Contra Ataca”) e vai enfocar as ações da 61ª Infantaria Móvel, também conhecida como Companhia do Crepúsculo, um destacamento de leais e corajosos soldados da Aliança Rebelde. Situados na Orla Média, eles são obrigados a se retirar após uma violenta investida do Império. Como a Companhia sofre muitas baixas, ela precisa fazer constantemente recrutamentos nos vários mundos pelos quais ela passsa. Num desses mundos, eles conseguem capturar uma governadora imperial local que mostrou seu desejo de desertar e ajudar a Aliança com informações estratégicas. Mas, até onde a Companhia pode confiar nela? Quais serão os próximos passos após a retirada? E como sobreviver aos ferozes ataques do Império, que caça a Companhia pela galáxia, ainda mais agora que ela tem a posse da governadora?

O livro é, basicamente, uma sucessão de combates efetuados pela Companhia e de defesas contra ataques do Império. Cabe frisar aqui que (alerta de spoiler) a Companhia está em Hoth combatendo os walkers imperiais, tal como vemos em “O Império Contra Ataca”, onde o protagonista do livro, o soldado Hazram Namir, chega a inclusive bater um papinho com um simpático dono de cargueiro. Falando no protagonista, o livro tem um fio narrativo condutor que é a história da Companhia, mas também tem duas histórias paralelas que aparecem em capítulos esporádicos que tratam da vida pregressa de Namir e da vida de uma stormtrooper. Essas três histórias acabam se amarrando bem ao final do livro. Cabe dizer aqui que as histórias ocorrem em espaços e tempos diferentes, o que muito bem sinalizado ao início de cada capítulo, para que o leitor não se perca em todas essas histórias paralelas.

                              Pesado clima de guerra

Outra virtude do livro é que, como ele apresenta muitos personagens inéditos, fazendo praticamente apenas menção aos personagens consagrados da saga, o autor teve toda uma preocupação em construir muito bem esses personagens, dando-lhes um passado bem estruturado, seja para os mocinhos, seja para os vilões. Isso ajudou o leitor a desenvolver todo um grau de empatia e intimidade com os personagens e não seria nada demais se essse livro tivesse uma continuação. Freed conseguiu cativar muito o leitor com uma descrição detalhada dos personagens.

Agora, a grande atração do livro e o seu diferencial com relação a outras obras literárias de “Guerra nas Estrelas” é o já citado clima real de guerra. O autor descreve com riqueza de detalhes tudo o que acontece nos “fronts” de batalha, assim como as mortes violentas dos camaradas da 61ª Infantaria Móvel. Além do que já vemos de costumeiro nos bons filmes de guerra que assumem um tom mais realista, o livro traz questões de guerra bem atuais como o severo ataque de armas químicas que a Companhia do Crepúsculo sofreu, sendo essa a parte mais pesada de um livro cheio de trechos muito sombrios e traumatizantes, algo nunca visto em “Guerra nas Estrelas”. Trazer esse tipo de gênero à franquia somente a amadurece e a engrandece cada vez mais.

Assim, “Battlefront” é mais um feliz lançamento da Aleph não por trazer uma história relacionada a um jogo de videogame, mas por trazer uma história que acrescenta à “Guerra nas Estrelas” os verdadeiros horrores da guerra e, ainda por cima, traz personagens muito bem construídos e que dependem muito pouco de personagens consagrados. Vale muito a pena ler!

                     Batalha de Hoth como cenário

Batata Books – Darth Bane, Caminho De Destruição. A Criação Da Regra De Dois Dos Sith.

 

                                    Capa do Livro

A Editora Universo Geek é mais uma que investiu na franquia “Guerra nas Estrelas”. Ela tinha se notabilizado em enfocar a trajetória de personagens já conhecidos da trilogia original como Obi Wan Kenobi, Luke Skywalker e Darth Vader. Mas, recentemente, a editora deu um tiro certíssimo: publicou “Darth Bane, Caminho de Destruição”, escrito por Drew Karpyshyn, com o selo “Legends”. Esta é uma obra da Velha República, ou seja, se passa mil anos antes da ascensão de Palpatine ao poder e do surgimento do Império Galáctico. Confesso que sou um pouco suspeito para falar desse livro, pois a época da Velha República me atrai muito, já que é lá que está a gênese dos sith. E, como a literatura de “Guerra nas Estrelas” tem se mostrado muito melhor que os filmes em si, sobretudo o Universo Expandido da série “Legends”, o anúncio da versão em português de “Darth Bane” me cercou de muitas expectativas. E, agora com o livro lido, posso dizer que ele foi muito à altura do que eu esperava, se não foi mais do que isso.

Bane, o criador da regra de dois dos Sith

Mas, do que consiste a história? Vemos aqui a vida de Dessel, um minerador que tem uma vida para lá de dura no planeta Apatros, pois ele extrai cortosis, um metal que é usado para fazer blindagens de naves e armaduras, sendo muito difícil de extraí-lo da rocha. Assim, Dessel é submetido a uma cansativa rotina diária de trabalho. Para piorar a situação, a mineradora era controlada pela Companhia de Mineração da Orla Exterior, que explorava os seus mineradores de forma extremamente violenta, impondo-os praticamente a uma escravidão por dívidas. O passado de Dessel também foi marcado por muita dificuldade, pois ele tinha um relacionamento altamente turbulento com o pai, outro minerador. A República estava em guerra com o exército Sith e o cortosis era indispensável para a luta. Depois da chegada de alguns membros do exército da República, Dessel acabou entrando em conflito com eles e matou um dos soldados, sendo obrigado a fugir do planeta minerador. Procurado pela República, Des opta por procurar se alistar no exército Sith, trocando seu nome para Bane. Será a partir daí que o ex-minerador se lançará para um mundo totalmente novo.

Githany, uma relação perigosa

O livro tem uma história muito cativante que prende o leitor do início ao fim, sendo de leitura bem rápida. Há um ambiente soturno que permeia todas as páginas, fazendo jus a toda a ideologia do lado sombrio da Força. Algumas passagens são marcadas por momentos de violência extrema, que chocam não somente pela violência em si, mas também pela indiferença de Bane aos crimes que cometia. O desfecho tem pesados tons apocalípticos, premeditadamente calculados.

Agora, o livro chama a atenção para uma fórmula que, se já está um pouco gasta de ser tanto usada, ainda assim nos leva a uma boa lição: o ser humano é produto do meio em que vive, ou seja, o mal não vem apenas do lado sombrio ou ele é inerente ao personagem. Um pai violento, uma rotina exaustiva de trabalho com colegas de profissão agressivos e uma empresa que explorava seus empregados de forma selvagem, tudo isso amparado por uma República em guerra complacente com o mau tratamento dado aos mineradores, já que necessita do cortosis para as lutas contra os inimigos Sith  ajudaram a formar a má índole de Dessel. A entrada para o exército Sith foi somente a cereja do bolo do mal que se tornou Bane, que aliou o treinamento de seus mestres com os escritos sith antigos e milenares, algo desprezado pela Academia Sith da qual fazia parte. Foi através de seus estudos dos antigos textos Sith que Bane chegou à conclusão da famosa Regra de Dois, onde devem existir apenas dois Siths: o mestre e o aprendiz que cobiça o poder do mestre. Buscar um comportamento militarista e coletivo afastava os Sith da essência do lado sombrio da Força. O verdadeiro Sith deve se aproximar do lado sombrio em toda a sua plenitude. Ele não deve se apoiar em poderio militar, mas sim na sua capacidade insidiosa de manipular e ser traiçoeiro. O sentimento de companheirismo e a glória da vitória e do sacrifício obstruem a jornada para a verdadeira essência do lado sombrio. Com essa explicação bem convincente, Bane faz a sua jornada em busca do lado sombrio, passando por cima de todos, sendo mais mau do que um Pica-Pau. E a boa notícia é a de que este livro é apenas o primeiro de uma trilogia sobre esse importante senhor sombrio que rechaça o título de Lorde e faz questão do título de Darth. A diferença entre esses dois títulos? Procure no livro! Você não vai se arrepender.

Kopecz descobrirá Bane

Dessa forma, “Darth Bane, Caminho de Destruição” é mais uma grande história da literatura de “Guerra nas Estrelas”, do selo “Legends”. Mais um grande ponto para o Universo Expandido, que traz histórias de alta qualidade para a franquia. Dando mais conteúdo para a Velha República e para a história dos Sith, esse livro dá uma explicação bem embasada para a famosa regra de dois dos Sith. Um livro imperdível!

Batata Books – Bowie. Mais Pessoal, Menos Profissional.

 

Um cantor muito amado por todos

 

Hoje a seção Batata Books vai falar de “Bowie”, uma biografia escrita por Wendy Leigh. Dessa vez, vamos fazer uma coisa um pouco diferente. Segue agora um vídeo com minhas impressões do livro e, logo depois, a resenha escrita para fornecer a vocês informações adicionais.

E, agora, o texto…

A editora Best Seller lançou a biografia de David Bowie. Escrita por Wendy Leigh, podemos ver aqui a trajetória completa do cantor, desde os seus dias de infância até a sua morte, no início do ano passado. É uma biografia onde podemos conhecer o lado mais pessoal e humano do cantor, em detrimento de sua carreira profissional, que foi pouco explorada.

Bowie e seus pais

Em todas as 287 páginas do livro, podemos perceber como a autora se debulha em elogios ao cantor, chegando a chamá-lo de deus grego em algumas passagens. Tudo bem que a escritora seja uma fã do artista, mas tal idolatria pode ser perigosa, deixando a obra tendenciosa. No livro, vemos um Bowie totalmente educado, delicado e sensível, embora haja também o cuidado de se mostrar que ele era humano e tinha os seus defeitos. Bowie, por exemplo, não media esforços em chegar aos seus objetivos e se tivesse que ter relações homossexuais com empresários para atingir o estrelato, ele o fazia. Aliás, esse é o grande mote do livro. A autora se preocupa muito mais na coleção de amantes e casos do cantor do que em sua carreira profissional, o que tornou a leitura um pouco maçante. A bissexualidade de Bowie é muito bem explorada, assim como seu amor livre e descompromissado. Foi também mencionada sua forte dependência química com a cocaína em meados dos anos 70, onde o cantor tinha sérias alucinações. Sua generosidade, inclusive, ajudou o guitarrista Slash a lidar melhor com o vicio que ele também tinha com cocaína, pois Bowie muito o aconselhou a largar a droga quando jovem (a mãe de Slash foi um dos muitos casos de Bowie).

Com Angie, sua primeira esposa. Ah, a Angie é a sentada e o Bowie está em pé com vestido e cara de tia

O livro também se preocupou em falar do relacionamento de Bowie com suas pessoas mais próximas, desde sua mãe, com quem mantinha um relacionamento muito frio, seu pai, que muito incentivou sua carreira, passando por seus empresários, sua esposa Angie, com quem teve um casamento aberto, sua melhor amiga Coco Schwab, que era uma espécie de guardiã, e seu casamento altamente estável com a modelo Iman. Pudemos ver ainda a relação conturbada de Bowie com Mick Jagger ou a forma com que o cantor foi destratado por Andy Warhol. A carreira cinematográfica de Bowie também foi contada, embora pudessem ser mostrados maiores detalhes. Só é de se lamentar que a parte musical, tão prolífica e rica, tenha sido menos explorada.

Coco Schwab, sua fiel escudeira

O livro parece ter um corte abrupto mais ao final. Ou seja, ele ficou muito focado na vida de Bowie durante a década de 70. Já as décadas de 80, 90, passaram mais rapidamente, e quando nos demos conta, já estávamos no álbum Lazarus e em sua morte, que parece que foi rapidamente acrescentada para aproveitar a enxurrada certa de vendas que a biografia teria imediatamente após sua morte, o que é uma pena, pois sentimos que essa biografia não ficou muito bem acabada. De qualquer forma, é uma oportunidade para os fãs conhecerem um pouquinho mais de Bowie e sua vida, embora eu ache que o leitor precise procurar outras fontes depois para ter um panorama mais completo desse cantor que muita saudade deixou.

Relacionamento feliz e duradouro com Iman

 

Batata Books – Herdeiro Do Jedi. Luke Skywalker Em Primeira Pessoa.

Capa do Livro

Mais um bom lançamento da Editora Aleph referente ao Universo de “Guerra nas Estrelas”. Escrito por Kevin Hearne, “Herdeiro do Jedi” é uma aventura integrante do novo cânone, que tem Luke Skywalker como protagonista. E, dessa vez, com uma grande curiosidade. O livro é narrado em primeira pessoa pelo próprio Luke Skywalker. Isso faz com que o personagem tenha uma relação de grande cumplicidade com o leitor e, por que não, com o fã. Podemos compartilhar com ele seus desejos, medos, receios e outros sentimentos, num momento em que ele acabou de explodir a Estrela da Morte (os eventos da história desse livro se passam entre os Episódios IV e V). Assim, ele acabou de perder Obi Wan Kenobi, quer se iniciar no treinamento jedi, mas não tem ainda um mestre, e tem uma enorme curiosidade em saber um pouco mais de Darth Vader e por que o senhor sombrio matou seu pai.

Luke Skywalker. Aprendizado jedi sem mestre

Mas, no que consiste a história? Depois da batalha de Yavin, a Aliança Rebelde continua a fazer várias missões contra o Império com o objetivo de enfraquecê-lo. E uma delas é justamente trazer para seu lado uma “slicer” (o equivalente a um “hacker”) do Império que quer desertar e garantir uma vida segura para a sua família. Drusil Bephorin precisa ser resgatada pelos rebeldes e ser transferida para um planeta num sistema distante e pouco conhecido para lá viver em paz com sua família. O escolhido para essa missão será Skywalker, visto pela Aliança Rebelde como um verdadeiro herói por seu êxito em Yavin. Num primeiro momento, essa fama subiu à sua cabeça mas, com o tempo, o antigo agricultor de umidade de Tatooine amadureceu e viu que a luta contra o Império é mais crítica que parece. Para tornar a coisa mais interessante, o autor Kevin Hearne deu ao nosso amado protagonista uma baita de uma companhia: a franco atiradora Nakari Kelen, uma estonteante morena de negros cabelos encaracolados extremamente espirituosa, o que mexe com a natureza introspectiva do jovem aprendiz de jedi. Obviamente, algo além de um simples relacionamento de amizade acontecerá entre os dois. Mas esse “affair” será interrompido várias vezes pelos perigos envolvidos na missão. O ato de transportar Drusil Bephorin pelo espaço da galáxia sob a perseguição das forças do Império e de perigosos caçadores de recompensas tornará a missão mais difícil do que ela parece. E aí o trio formado por Skywalker, Kelen e Bephorin vai ter que passar por muitas situações espinhosas para atingir seus objetivos. Ah, sim, não podemos nos esquecer da presença de R2 D2 na missão, que em alguns momentos se tornou mais um peso do que o robozinho que salvava o dia, embora o autor não tenha deixado de dar a ele os seus costumeiros momentos de salvador da pátria.

Nakari Kelen. Uma franco atiradora

É uma história instigante, que prende a atenção e dá ao leitor a oportunidade de uma rápida leitura. Hearne consegue criar uma trama com bons momentos de ação, intercalados por bons diálogos, sobretudo entre Skywalker e Kelen. A personagem de Drusil Bephorin também é muito atraente, pois sua característica de “slicer” e criptógrafa é consequência de que sua espécie alienígena tem muito tino para a matemática, onde até as regras de etiqueta são permeadas por complexas fórmulas. Assim, a personagem calcula as probabilidades de ocorrência de eventos relacionados ao que pode ou não acontecer na missão o tempo todo, algo um tanto “vulcano” no Universo de “Guerra nas Estrelas” (desculpem, mas eu como “trekker” não resisto). E esse “quê” vulcano fica ainda mais pronunciado quando Bephorin não consegue entender os flertes entre Skywalker e Kelen, o que leva a situações constrangedoras para o aprendiz de jedi. Falando nisso, é muito legal ver as primeiras tentativas de telecinese (o ato de mover objetos com a força da mente) de Skywalker com… macarrões no prato (!), responsáveis por momentos divertidos da história.

Assim, “Herdeiro do Jedi” é mais um tiro certo da Aleph que tem trazido boas histórias de “Guerra nas Estrelas” para o público, enquanto este espera ansiosamente pelos filmes da franquia que batem às portas dos cinemas em dezembro. Um livro que tem como grande trunfo deixar o fã mais próximo de Luke Skywalker. Um livro que traz uma boa aventura e personagens muito bem construídos. Uma história digna do Universo de “Guerra nas Estrelas”. Você não vai se arrepender se ler.

Drusil Bephorin, a “slicer”

Batata Books – Troopers Da Morte. “Guerra nas Estrelas” Encontra Os Zumbis.

Capa do Livro

A Editora Aleph lançou no ano de 2015 o livro “Troopers da Morte”, de Joe Schreiber (um bom nome para escritor, já que schreiber em alemão significa justamente escritor), que faz parte do famoso Universo Expandido de “Guerra nas Estrelas”, sob o selo “Legends”. Confesso a vocês que esse foi o livro que de cara menos me interessou para ler e somente o fiz agora, depois de esgotar todas as outras possibilidades de leitura. E o porquê disso? É que esse livro mistura “Guerra nas Estrelas”, que mais se aproxima do gênero da fantasia espacial e um pouco menos da ficção científica, com o gênero do terror, mais especificamente no tema dos… zumbis!!! Como não sou muito fã de terror, muito menos de zumbis, protelei a leitura desse livro até o último momento. Por isso, acredito que minha análise desse livro pode ser um pouco tendenciosa.

Mas, vamos lá. Do que se trata a história? Uma nave prisão do Império, a Purgação, se encaminha para uma espécie de penitenciária para entregar quinhentos presos. Entretanto, quando a nave sai do hiperespaço, ela sofre um defeito e não pode seguir viagem numa velocidade satisfatória. Porém, a nave encontra um destroier imperial no espaço, sem formas de vida, algo muito estranho para uma gigantesca nave que pode abrigar milhares de pessoas. Uma equipe da Purgação vai ao destroier para procurar peças que ajudem a consertar a nave prisão. Essa equipe se divide em duas para procurar as peças mais rápido. Mas somente uma dessas equipes retorna à nave de origem. E, ainda, alguns de seus integrantes voltam com sérios sintomas de uma doença grave. A médica da nave prisão, Zahara Cody, de repente vê sua enfermaria repleta de pessoas doentes, já que o grau de contágio da doença é muito rápido e mata a todos. Chega uma hora que pouquíssimos sobreviventes restam, pois estranhamente eram resistentes à doença, e cabe a eles fugir da nave. Mas os mortos acordariam… e com muita fome.

Troopers Zumbis???

Dá para imaginar o resto. Quem gosta desse gênero de terror e zumbis vai se deliciar com as inúmeras perseguições e tensões de um monte de mortos-vivos correndo atrás de você para se alimentar de sua carne viva. Mas, para quem não gosta muito do gênero, essa leitura fica um tanto cansativa e enfadonha. Isso quando não é muito nojenta, pois o autor descreve com destreza toda a repugnância de ferimentos infeccionados, gangrenas, cheiros de podre, cadáveres em putrefação, etc., algo que também cansa. Mas o livro tem uma grande vantagem. Sua leitura consegue ser muito rápida, pois ele é dividido em quarenta e quatro capítulos e um epílogo, divididos em trezentas e vinte e seis páginas, cujos capítulos são relativamente curtos, o que diminui o número de páginas final do livro e torna a leitura bem mais ágil. Eu só tenho tempo para ler dentro de ônibus ou vans (um péssimo hábito, diga-se de passagem, pois faz mal à vista) e meu ritmo de leitura acaba sendo mais lento. Esse livro, no entanto, acabou sendo uma leitura mais rápida que eu previa.

E tome morto-vivo!!!

O leitor pode me perguntar: há personagens do cânone oficial? Sim, há, mas não vou dizer aqui para não dar mais “spoilers”. Entretanto, a aparição deles se faz somente na segunda metade da história, e não foi realmente muito desenvolvida. Parece que o autor optou por dar mais desenvolvimento e ação a seus próprios personagens, o que foi uma pena, a meu ver, pois creio que o fã de “Guerra nas Estrelas” quer ver mais coisas que se remetam aos filmes. Outra coisa que não fica bem clara é onde tal história se situa no tempo de “Guerra nas Estrelas”, ou seja, entre qual e qual episódio. Isso é outro ponto lamentável, que dá a noção de que a trama está solta e descolada de todo o resto, reforçando a aparência de “Legends” da coisa.

Assim, se você é mais fã de terror do que de “Guerra nas Estrelas”, provavelmente vai gostar de “Troopers da Morte”. Porém, se você é mais fã de “Guerra nas Estrelas” do que de terror, talvez se decepcione. Mas, como eu disse ao início desta resenha, pode ser que minha análise seja um pouco tendenciosa. Enfim, somente lendo o livro para você emitir a sua opinião. Eu não curti muito não.

Zahara Cody

 

Batata Books – Como Star Wars Conquistou O Universo. Por Dentro E Por Fora de “Guerra nas Estrelas”.

Por Carlos Lohse

Capa do Livro
Capa do Livro

A Editora Aleph fez um senhor lançamento no final do ano passado. O livro “Como Star Wars Conquistou O Universo”, de Chris Taylor, é uma leitura obrigatória para qualquer fã de “Guerra nas Estrelas”. Para os mais novos, é uma oportunidade e tanto de conhecer todo o Universo de uma das franquias mais amadas de todos os tempos. Para o fã mais antigo, mais rodado, é uma oportunidade de dar um “upgrade” no seu conhecimento sobre “Guerra nas Estrelas”, pois Taylor desmistifica algumas informações que eram consideradas verdades absolutas. Ou seja, o autor do livro faz um exaustivo trabalho de rever todo o conhecimento sobre a saga e atualizá-lo. Daí a sua importância.

A Legião 501
A Legião 501

O livro é dividido em vinte e sete capítulos, precedidos por uma introdução à edição de 2015 e uma introdução do livro, e sucedidos por uma conclusão e um epílogo. A introdução procura mostrar o alcance de “Guerra nas Estrelas” em várias culturas, inclusive na indígena, onde foi feito todo um esforço para exibir o filme “Uma Nova Esperança” dublado para o idioma Navajo. Os primeiros capítulos falam da infância de George Lucas, alternados com um estudo minucioso sobre as possíveis influências que “Guerra nas Estrelas” teve, indo de histórias sobre Marte escritas por Edgar Rice Borroughs até as fitas em série onde Buck Rogers e, principalmente Flash Gordon, interpretado por Buster Crabbe (essa sim uma reconhecida influência sobre o jovem George Lucas) são de grande destaque. É mencionada, também, outra paixão de Lucas além das séries e do cinema: a velocidade. Mas um acidente automobilístico grave colocou Lucas nos trilhos da sétima arte, não sem tirar da mente do cineasta a paixão por velocidade, vide as corridas de pods do “Episódio I”, as perseguições de speederbikes do “Episódio VI”, ou até a louca corrida entre tie fighters e X-Wings na vala da Estrela da Morte do “Episódio IV”. O livro segue falando dos anos de Lucas na Universidade e seu filme experimental THX 1138, de sua parceria com Francis Ford Coppola, a produção de “American Graffiti”, a influência do filme de arte “2187” no conceito de Força, o processo extremamente agônico de escrever roteiros (há, no livro,  um ótimo mapeamento de todos os roteiros escritos sobre “Guerra nas Estrelas” até a versão final que seria o “Episódio IV” no futuro), os primeiros contatos de Lucas com os grandes estúdios para fazer o filme, a escolha do elenco, a produção e todos os seus problemas, detalhes dos sets de filmagem como o casinho rápido entre Carrie Fisher e Harrison Ford, ou o consumo de drogas que Carrie Fisher fazia no set, etc. Todos esses detalhes foram sendo mapeados através de todos os filmes da saga, indo da trilogia clássica à trilogia prequel, chegando até aos detalhes da venda da franquia para a Disney e a expectativa com o “Episódio VII”. Alguns pontos que eram conhecidos como “cânones” para os fãs mais experientes com o Universo dos filmes foram um tanto quanto desmistificados, como a história de que Lucas ganhou sozinho muito dinheiro com licenciamento, pois somente ele enxergou o potencial do merchandising e da venda de produtos licenciados na época. Na verdade, a Fox também tinha uma parcela dos lucros com licenciamento.

Um acidente de carro que mudou a História do Cinema
Um acidente de carro que mudou a História do Cinema

Mas o livro não se pauta somente nas influências sofridas por George Lucas para fazer os filmes e a sua trajetória no cinema e das trilogias. Taylor também escreveu instigantes capítulos dedicados aos fãs, como o dedicado à famosa Legião 501, formada por fãs que fazem cosplay de stormtroopers, ou a notável coleção de Steve Sansweet, considerada a maior do mundo. O próprio Lucas intitula Sansweet como o “fã supremo” de “Guerra nas Estrelas”. Ainda, podemos ver um capítulo onde é citado um fã clube especializado em construir droides astromecs. Ou o capítulo onde é contada a história da fila que se formou vários dias antes da estreia do “Episódio I”, no cinema Coronet, onde o “Episódio IV” havia estreado em 1977. Falando na trilogia prequel, há um capítulo que se preocupa em tentar compreender por que essa trilogia foi mal recebida pelos fãs, e bem recebida por outros, estabelecendo algumas reflexões importantes sobre a questão. Há até um capítulo que fala das ligações entre “Guerra nas Estrelas” e “Jornada nas Estrelas”. À propósito, a galeria de fotos tem algumas raridades, como a foto do único encontro entre George Lucas e Gene Roddenberry, ou a capa de jornal local da cidade de Modesto, com a foto do carro destruído de Lucas depois de seu acidente que mudou os rumos da vida do cineasta e da História do Cinema.

O único encontro entre Gene Roddenberry e George Lucas
O único encontro entre Gene Roddenberry e George Lucas

Dá para perceber, fazendo esse brevíssimo inventário do conteúdo do livro, como a obra de Chris Taylor é rica e prolífica. Só há uma crítica a ser feita na forma como o livro foi montado e estruturado. As notas de citações foram jogadas para o final da publicação, de uma forma muito decalcada do texto. Teria sido melhor que elas fossem colocadas nos pés de página ou então, numeradas ao longo do texto. Foi realmente uma pena, mas isso não diminui a grandiosidade do texto de Chris Taylor, que se revelou um pesquisador e tanto do Universo de “Guerra nas Estrelas”. Sendo assim, só ratifico o que foi dito acima: “Como Star Wars Conquistou O Universo” é uma obra fundamental para fãs e estudiosos do Universo de “Guerra nas Estrelas”, sendo uma leitura obrigatória. Não deixe de ter o seu!

Um grande livro de um grande autor
Um grande livro de um grande autor