Batata Movies (Especial Oscar 2018) – A Forma Da Água. Tendo Seu Peixe De Estimação.

                 Cartaz do Filme

E estreou o tão esperado “A Forma da Água”, o recordista de indicações ao Oscar esse ano, sendo treze no total (Melhor Direção para Guillermo del Toro, Melhor Filme, Melhor Atriz para Sally Hawkins, Melhor Ator Coadjuvante para Richard Jenkins, Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer, Melhor Música, Melhor Roteiro Original para Guillermo del Toro e Vanessa Taylor, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Montagem e Melhor Design de Produção). Esse filme também foi vencedor do Globo de Ouro de Melhor Diretor e Melhor História Original para filme. Ou seja, toda a cara de que era um filmaço desde as premiações e indicações até a exibição do trailer e um dos grandes favoritos a levar muitas premiações na noite do Oscar.

                                       Elisa, uma faxineira muda…

Mas, do que se trata a história? Falando em linhas gerais, para não se dar muitos spoilers, o filme fala de uma faxineira muda, mas não surda, chamada Elisa Esposito (interpretada por Hawkins). A moça trabalha numa espécie de instalação militar, daquelas onde são guardados muitos segredos confidenciais. Um belo dia, chega uma espécie de tanque com um misterioso ser vivo dentro. Com esse tanque, vem Richard Strickland (interpretado pelo “General Zod” Michael Shannon). Elisa fica muito curiosa com aquilo e começa a se aproximar do tanque onde está o ser vivo. Ela descobre que, apesar da fama de violento (ele arrancou dois dedos de Richard), a criatura é extremamente dócil, se é estabelecido um contato amistoso com ela. E Elisa começa uma amizade com o tal ser, que é uma espécie de anfíbio humanoide (interpretado por Doug Jones). O problema é que essa amizade está ameaçada, já que os militares decidem matar o ser para dissecá-lo e estudá-lo melhor.

                  Um ser anfíbio simpático, apesar de aterrorizante…

Essa história, bem inusitada por sinal (se a gente fala a sinopse desse filme de forma bem resumida, ele pode parecer muito ruim), acabou sendo um verdadeiro sucesso. Por que isso ocorreu? Em primeiro lugar, creio que pela interpretação de Hawkins. A faxineira muda foi uma atração à parte, onde sua forma de se comunicar com as pessoas chamava muito a atenção. Usando a linguagem de sinais e amando os filmes musicais (todos da Fox, obviamente, pois foi esse estúdio que produziu a película), a personagem Elisa cativa o público imediatamente. E ela ainda fez uma boa dobradinha com a sempre fofíssima Octavia Spencer, que era sua colega de faxina na tal instalação militar. Só é uma pena que Spencer não tenha tido tanto destaque nesse filme. Sua personalidade magnética exigia uma participação muito maior de sua personagem na história. Ainda, falando sobre os musicais, pudemos ver no filme trechos de filmes consagrados com atrizes divas do porte de uma Alice Faye e até de nossa Carmen Miranda, com direito a um “tica bum” praticamente completo num ponto chave do filme, o que foi muito legal para fãs de túmulo como minha pessoa. Essa paixão de Elisa pelos musicais antigos, nutrida pelo seu amigo Giles (interpretado por Richard Jenkins) foi um dos pontos altos do filme e um contraponto à deficiência da personagem principal. Michael Shannon foi bem novamente, mas sua fisionomia meio caveirona mais uma vez o colocou como um cruel vilão da história. Sei não, mas seria muito interessante um ator que é o estereótipo perfeito do vilão volta e meia fazer um mocinho no cinema. Acho que isso poderia muito bem acontecer com Shannon num blockbuster da vida.

                                              Amor à primeira vista…

Outro bom motivo para o sucesso do filme foi a interpretação de Doug Jones como a criatura anfíbia. Especializado em fazer criaturas com toneladas de maquiagens e muita, muita borracha, Jones foi de uma delicadeza sensacional ao interagir com Elisa, fazendo uma fera que pode te partir ao meio, mas com muita ternura. Mas os trekkers de plantão já conhecem o trabalho desse bom ator como o personagem Saru, de Jornada nas Estrelas Discovery, creio eu uma das poucas coisas que é vista com bons olhos por admiradores e detratores da série.

                                  Octavia Spencer bem como sempre…

É interessante também perceber como essa película tem um personagem que se sobrepõe a todos os outros: a água. Para onde quer que você olhe, ela está lá, encharcando tudo. Desde o banheiro de Elisa, passando pelos corredores e tanques da instalação militar, chegando até ao rio que corta a cidade. Essa presença tão marcante da água no filme meio que dá uma dica do seu desfecho.

                         Michael Shannon, o eterno vilão…

Assim, o filme “A Forma da Água” justifica todas as expectativas criadas em cima dele. Pode ir ao cinema sem medo que ele não é menos do que se esperava, muito pelo contrário até. É uma história inusitada e muito terna, recheada de excelentes atuações que cativam de imediato o espectador. Programa imperdível e, com certeza, muitas pessoas estarão torcendo por essa película na noite do Oscar.

 

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