Batata Comics – Evolução Das Máquinas. Mônica E Os Robôs.

                                                    Capa da Revista

Um dos aspectos dos quadrinhos da “Turma da Mônica Jovem” é o uso, em alguns gibis, de uma temática mais voltada para a ficção científica. Os roteiristas de Maurício de Sousa já nos deram várias mostras disso. E uma característica da ficção científica chama a atenção aqui: as histórias com robôs. Presentes em edições como a 32 e a 73 da primeira temporada da “Turma da Mônica Jovem”, os androides retornam agora na edição 11 da segunda temporada, em mais uma história recheada de implicações filosóficas que estimulam a reflexão dos leitores.

Tudo começa num jogo de videogame online onde Cebola e seus amigos são derrotados, por Nick, o Geek. Ainda enfurecido com a derrota, Cebola recebe a bolada de uma estranha esfera que entra à toda pela janela de sua casa. Cebola descobre que a tal bola é um robô sensciente que tem uma programação bem específica: aprimorar nosso protagonista. O problema é que o robô é muito objetivo e insensível em suas análises, o que incomoda um pouco Cebola e seus amigos. Cebola irá inicialmente usar o robô para aprimorá-lo nas suas habilidades de gamer. Mas a unidade androide percebe que, para melhorar os humanos, ela precisa melhorar a si própria, e pede a Franja que faça um corpo para ela. Entretanto, uma questão fica no ar: de onde veio esse robô? Qual é a verdadeira intenção de sua programação? Paremos por aqui com os spoilers.

      Maurício de Sousa. Cada vez mais próximo da ficção científica…

Histórias de robôs sempre levantam questões muito interessantes e aqui não é diferente. Em primeiríssimo lugar, a questão do aprimoramento. É algo razoável que um robô consiga se desenvolver com sua experiência e superar os parâmetros de sua programação ou tudo soa como uma balela sem tamanho? Renomados cientistas como Marcelo Gleiser já nos chamaram a atenção de como a questão da consciência é algo extremamente complexo. Segundo Gleiser, mesmo que o ser humano conseguisse desenvolver uma máquina que reproduzisse com fidelidade total as funções do cérebro humano, ainda assim não poderemos dizer que ela vai ter uma consciência. Assim, para se aprimorar e se superar, o robô precisa, antes de mais nada, ter consciência, o que é tecnicamente impossível. A existência de uma consciência traz também a questão do livre arbítrio. Na própria história, chega o momento em que o robô precisa fazer uma escolha, o que não significa necessariamente que seja a mesma escolha que a turma da Mônica já “elegeu” para o robô, como se ele não tivesse vontade própria. Assim, as fronteiras entre a máquina e o humano passam pela consciência, pelo aprimoramento e pelo livre arbítrio, quesitos que, por exemplo, um celular ou um laptop não têm.

É muito curioso que Maurício de Sousa, em sua coluna “Fala, Maurício” ao fim da revista, tenha mencionado a existência das Três Leis da Robótica, de Isaac Asimov, como leitura complemento para essa edição. Essas três leis são: 1) Um robô jamais deve fazer mal a um humano, ou por inação permitir que um humano sofra algum mal; 2) Um robô deve sempre obedecer a um humano, desde que isso não entre em conflito com a primeira lei; 3) um robô deve proteger a própria existência, desde que isso não entre em conflito com a primeira e segunda leis. Asimov nos deu contos e histórias deliciosas sobre robôs, onde essas três leis interagem seguidamente. Aqui tivemos algo não tão semelhante, mas que se aproximava um pouco do Universo Asimoviano, onde o robô, a priori insensível, “se arrepende” ao ser agressivo com a turma, pois uma situação específica ativou nele uma sub-rotina de combate, algo que hoje chamamos de “bug”. Tal momento da revista é o que mais se aproxima, embora de forma pouco elaborada, em virtude da proposta de maior entretenimento desse veículo midiático que são os quadrinhos da Turma da Mônica, das Três Leis da Robótica de Asimov. De qualquer forma, não deixa de ser notável que uma revista em quadrinhos mais dirigida para o público adolescente (e, por que não, adulto?) aborde questões mais reflexivas desse naipe, num momento em que as cabeças têm pensado tão pouco em nosso país.

Assim, vale mais uma vez a pena procurar nas bancas especializadas que vendem gibis mais antigos essa edição da “Turma da Mônica Jovem” (a edição chegou às bancas no mês passado), especialmente os fãs de ficção científica.

Isaac Asimov, criador das Três Leis da Robótica.

Batata Movies – Liga Da Justiça. Mais Um Passo No Desenvolvimento Da DC.

                    Cartaz do Filme

A DC lançou mais uma de suas apostas para o upgrade de suas franquias e estreou o audacioso “Liga da Justiça”, onde foram apresentados novos super-heróis (leia-se Aquaman, Ciborgue e Flash). O negócio agora será fazer filmes solo para esse povo todo. Mas, por enquanto, esse filme mostra todo o rosário de super-heróis trabalhando em conjunto.

               Um Aquaman meio vaca brava

E qual foi o resultado de tudo isso? Creio eu que “Liga da Justiça” foi um bom filme, mesmo que tenha sido um pouco arrastado em alguns momentos (o mesmo aconteceu com o filme solo da Mulher Maravilha). Talvez isso aconteça, pois a pegada da DC é a de encarar o Universo de heróis com um pouco mais de seriedade e o clima fica mais pesado (me desculpem leitores, mas a comparação com a Marvel é inevitável). Tal clima atrapalha um pouco o processo de construção dos personagens. E eram vários personagens a serem apresentados, causando uma boa quantidade de micro-histórias que o espectador era obrigado a assistir, quando o público desse filme quer uma pegada maior de ação. Entretanto, não sejamos injustos. “Liga da Justiça” traz uma história instigante e é legal ver os heróis trabalhando em equipe ou se desentendendo, como aconteceu em alguns momentos. Cá para nós, as cenas de conflito foram muito mais interessantes que as cenas de trabalho em equipe, mas não dá para contar em detalhes aqui sem ser alvejado pelos caçadores de divulgadores de spoilers.

                          Um Flash engraçadinho

O que podemos falar dos novos heróis? Tivemos dois casos muito bons e um mediano. Aquaman foi uma grande surpresa, sendo um personagem muito carismático. Só me causaram estranheza (e grande curiosidade) dois fatores. Em primeiro lugar, por que um Aquaman de grandes cabelos e barba negra? A minha ignorância retumbante em quadrinhos me faz ver esse Aquaman mais com um visual de Deus Netuno. Cadê o louro de olhos azuis? Em segundo lugar, seu visual um tanto rústico me pareceu gerar também um Aquaman meio vaca brava, que salva os fracos e oprimidos e depois os arremessa contra o balcão de um bar e ainda toma uma branquinha (os mais maliciosos diriam que tem tudo a ver o Aquaman ser um pau d’água). Queria saber de onde vem esse visual e toda essa crueza.

                  Um Ciborgue mal aproveitado

Já o nosso Flash faz o papel do pós-adolescente deslumbrado com o meio dos super-heróis, uma fórmula que é repetida por aí (não vou falar o nome da Marv…, ops!). Mesmo não sendo algo muito original, esse Flash mais engraçadinho foi muito simpático e trouxe bons momentos de humor para a película, num ambiente pouco afeito a piadas. Assim, creio que o Flash foi uma ótima contribuição.

O mesmo não se pode falar do Ciborgue. Um homem atormentado por uma experiência um tanto frustrada, coordenada pelo próprio pai, tinha tudo para ser um ótimo personagem. Mas pareceu que a coisa ficou um tanto mal desenvolvida para ele, meio travada, mesmo que a Mulher Maravilha tenha descambado mais para seu lado mãezona com relação a ele. Esperemos que Ciborgue seja mais bem aproveitado e bem desenvolvido.

Num ponto podemos dizer que a DC acertou maravilhosamente. Ela deixou um lance totalmente escondido dos trailers e divulgações. Uma coisa que ficou guardada e que se revelou uma boa surpresa e um grande trunfo. Alguns podem até achar que essa carta na manga deveria ser usada num filme próximo, mas do jeito que ficou, creio que valeu a pena usar isso já nesse filme. Quem prestar um pouco mais de atenção nessas linhas deve entender do que estou falando. Só é pena que possa ter havido um furo de roteiro aí. Mas nada que atrapalhe muito.

Assim, “Liga da Justiça” é um bom filme que está mostrando a melhora progressiva das películas da DC. Se o filme solo da Mulher Maravilha já foi bom, “Liga da Justiça” traz algo a mais e a possibilidade de novas histórias e películas. Vá e, principalmente, não implique. E não deixe de desfrutar das duas cenas pós-créditos.

Batata Comics – Terrível Obsessão. A Mediunidade Volta Agora Na Turma Da Mônica Jovem.

                    Capa da Revista

Voltemos a falar de quadrinhos. E voltemos a falar de Turma da Mônica Jovem. Definitivamente, os personagens de Maurício de Sousa são apresentados aqui de forma diferente do que vemos nos quadrinhos, digamos, mais tradicionais de turminha, até porque temos aqui um público-alvo diferente: adolescentes (e aí até a temática nerd tem o seu espaço) e, por que não, o público adulto. Tal elemento gera uma forma inteiramente nova de se ver a Turma da Mônica e que parece que tem dado muito certo, pois a “primeira temporada” da revista rendeu cem números e já estamos no oitavo número da “segunda temporada”.

                                       Sarah, a moça médium

Mas no que a história desse número em especial chamou tanto a atenção? Essa é uma história que envolve a questão da mediunidade e, quando temos tramas desse naipe na revista, a aparição da personagem Sarah é uma grande pedida, pois ela tem uma forte mediunidade, a ponto de ver e conversar com os mortos, cujo amigo Victor é uma espécie de conselheiro. Sarah, que já apareceu em outro número da revista (número 86 da “primeira temporada”), é uma moça atormentada, pois não pode usar seus “poderes” para evitar todas as coisas ruins que vê e que pressente, já que seu amigo Victor a adverte que ela não deve interferir e deixar que o curso dos acontecimentos siga naturalmente. Quando Sarah vê um espírito maligno ameaçando um velho tocador de realejo numa pracinha, temos o início de uma trama onde os personagens de Maurício de Sousa vão ter que lutar contra essa força maligna sobrenatural sem a ajuda de Sarah, que se sente cada vez mais culpada em não poder ajudar e quer tomar uma atitude perante a isso, sempre sob os olhos reprovadores de Victor, seu amigo do além.

           Uma história instigante e muito adulta

Não é a primeira vez que Maurício de Sousa aborda o tema do espiritismo, sem ser as histórias do Penadinho. Quem acompanhava há muito tempo as revistinhas da Turma da Mônica sabe que, lá em meados da década de 80, foi produzida a história “As Emoções Bárbaras”, onde um espírito evoluído que não precisa mais reencarnar (dentro da visão kardecista) pede às entidades ainda mais superiores que ele possa “regredir” e voltar à Terra para sentir novamente as “emoções bárbaras” (fome, sede, frio, alegria, raiva, tristeza, pena, etc.). Ele recebe autorização para retornar ao nosso mundo, ainda que brevemente, e sentirá essas emoções novamente com a turminha da Mônica, retornando ao paraíso mais tarde, esquecendo todas as emoções bárbaras, exceto por uma: a saudade que sentia pela turma. Essa história altamente adulta e utópica para o público-alvo da revista (ou seja, o infanto-juvenil) ganhou prêmios e é muito lembrada com carinho pelos fãs. Pois bem. Desta vez, os roteiristas e editores optaram novamente por uma história de conteúdo mediúnico, entretanto com uma visão altamente distópica. A entidade em questão provoca destruição, pois está tomada pelo rancor e ódio, não conseguindo se afastar do plano material e fazer a jornada para o plano espiritual. Caberá à Mônica “libertar” esse espírito obsessor, com a lição de moral implícita de que, ao guardar raiva e rancor, você não apenas faz mal a si mesmo, mas também pode espalhar esse mal para as pessoas que o cercam. Lição mais kardecista que isso impossível. De qualquer forma, a história é pesada e leva com muita maestria o “lado negro” do espiritismo.

Outro detalhe interessante é que esta revista não está ligada apenas à personagem Sarah, que apareceu num número anterior, mas também a outra história da Turma da Mônica Jovem (números 81 e 82 da primeira temporada), onde um dono de circo macabro escravizava um grupo de mutantes e a Mônica para transformá-los em atrações. Essas referências a outras revistas são muito instigantes e fazem mais ou menos a mesma coisa que vemos em séries de TV como “Jornada nas Estrelas” e muitas outras, ou seja, é uma fórmula que dá certo e que tem sido muito bem aproveitada nessa fase dos quadrinhos de Maurício de Sousa.

Assim, “Terrível Obsessão” é mais uma história da Turma da Mônica Jovem que merece a atenção dos colecionadores e do grande público. O espiritismo é revisitado, mas agora sob uma visão distópica. Vale muito a leitura.

“As Emoções Bárbaras”. Relação com o espiritismo não é de hoje para Maurício de Sousa

Batata Comics – Cidade À Beira Da Eternidade. O Roteiro Original.

 

Capa da Edição em Inglês

A Editora Mythos Books traz uma verdadeira joia para os fãs de “Jornada nas Estrelas”. Todo mundo conhece a história do episódio da série clássica “Cidade à Beira da Eternidade”, onde Kirk e Spock voltam ao passado da Terra para resgatar o Dr. McCoy que, acidentalmente injetou um remédio em si e pirou na batatinha. Ele foi para o teletransporte e desceu à superfície de um planeta onde estava o “Guardião do Tempo”, uma espécie de passagem temporal, indo para a década de 30, em plenos dias da “Grande Depressão”. Ao chegarem ao passado, Kirk e Spock conhecem Edith Keller, uma irmã pacifista que cuida das pessoas mais necessitadas e tem uma mente muito à frente de seu tempo. Kirk instantaneamente se apaixona por ela, mas Spock descobre, através de uma versão rudimentar de um tricorder que ele construiu, que Edith vai morrer e que se ela viver, assumirá uma postura pacifista que vai atrasar a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra e que permitirá aos nazistas desenvolverem sua bomba atômica. Assim, Kirk sabe que vai perdê-la e sofre muito com isso. Essa é uma das melhores histórias da série clássica, que ganhou os prêmios Hugo e Nebula de ficção científica.

Um trecho q não faz parte da hístória veiculada na TV

Mas… você sabia que a história que foi veiculada no episódio não era a original, escrita por Harlan Ellison? Ela sofreu mudanças, segundo os produtores, porque o roteiro original não teria condições de ser filmado à época, algo com que Ellison discordou veementemente. E agora, a Mythos Books traz essa versão original do roteiro em quadrinhos, numa edição bem acabada e luxuosa em capa dura, que tem um precinho salgado, é verdade, mas vale muito a pena ter, principalmente se você ama “Jornada nas Estrelas” ou simplesmente ama quadrinhos. Na versão original, quem viaja para o passado é um tripulante camisa vermelha típico (aquele tripulante desconhecido que sempre morria nos episódios da série clássica na tv). Seu nome era Beckwith e ele era uma espécie de traficante de alucinógenos alienígenas dentro da Enterprise. Quando é descoberto, foge da nave e atravessa o portal do guardião do tempo. Imediatamente, o presente da Enterprise é alterado e a nave deixa de existir, entrando uma nave cheia de mercenários em seu lugar. Kirk, ao voltar com o grupo avançado para a nave, percebe que houve uma alteração e consegue se trancar na sala de teletransporte com sua tripulação. Ele volta ao planeta para atravessar o guardião do tempo com Spock, enquanto a ordenança Rand (que recebeu um papel mais destacado nessa história) fica com os demais tripulantes da Enterprise na sala de transporte, segurando a porta para os mercenários não entrarem. A partir daí, a história toma rumos parecidos com os do episódio veiculado na tv, mas com algumas pequenas alterações que não vou contar aqui (chega de spoilers!).

A bela Edith Keller

É uma experiência muito legal você ver a mesma história contada de forma diferente, tal como quando vemos um filme com o “corte do diretor”, mas um corte que realmente altere o produto final, como foi visto em “Superman II”, o estrelado por Christopher Reeve.  Embora haja algumas incongruências, como, por exemplo, por que a tripulação da Enterprise também não foi alterada quando Beckwith atravessou o portal ou por que Rand teve que ficar com os tripulantes na sala de transporte segurando as portas que os mercenários queriam derrubar e não foi para a superfície do planeta com Kirk e Spock (talvez o único motivo para isso fosse forçar Kirk e Spock lutarem contra o tempo enquanto estavam no passado da Terra), temos aqui uma ótima história, bem ao espírito dos episódios da série clássica, com a vantagem de que, com os quadrinhos, pode-se deixar a imaginação fluir ainda mais, com o produto final chegando bem próximo da imaginação do autor. Por isso, não podemos deixar de mencionar a adaptação para os quadrinhos do roteiro original por Scott e David Tipton e também a arte de J. K. Woodward. Inclusive, temos ao final dos quadrinhos uma exibição de todo o processo de produção da revista e um texto falando das inúmeras referências ao autor da história e outras que aparecem ao longo dos quadrinhos, que são uma verdadeira obra de arte.

Assim, a versão em quadrinhos do roteiro original de “Cidade À Beira Da Eternidade”, é uma leitura obrigatória para qualquer fã que se diga trekker e uma peça de coleção valiosa para quem gosta de quadrinhos. Não deixem de comprar, pois vale a pena o dinheiro investido nela.

Uma arte e tanto!!!

Batata Comics – Jornada Nas Estrelas, Nos Domínios Da Escuridão. Um Roteiro Melhor Que “Sem Fronteiras”.

Capa dos Quadrinhos

A editora Mythos Books lançou uma edição em quadrinhos, capa dura, do que poderia ser considerada a sequência do filme “Jornada nas Estrelas, Além da Escuridão”. E aliás, essa sequência filmada, e com as devidas edições, seria muito melhor do que o filme “Jornada nas Estrelas, Sem Fronteiras”. Ambientada com o novo elenco dos longas de “Jornada nas Estrelas” da fase J. J. Abrams, “Nos Domínios da Escuridão” tem a feliz ideia de ainda aproveitar a Seção 31, a Divisão de Operações Secretas da Frota Estelar, que somente consegue enxergar segurança para a Federação se colocar seus dois inimigos – os klingons e os romulanos – em pé de guerra. O problema é que a tripulação da Enterprise se vê no meio desse turbilhão, mesmo que esteja em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos. É uma senhora história de muita ação e trama política que daria um excelente filme, muito melhor do (na minha modesta opinião) fiasco que foi “Sem Fronteiras”.
Mas, no que consiste a história? Enquanto a Seção 31 organiza uma aliança secreta com os romulanos para que os alienígenas se voltem contra o Império Klingon em troca de tecnologia de armamentos da Federação, Spock sofre o Pon Farr e precisa ir a Vulcano para se acasalar. Mas nesta realidade alternativa Vulcano foi destruído e Spock não conseguiu aguentar a forte pressão emocional, tornando-se extremamente agressivo, assim como outros de sua espécie. Para salvar Spock da loucura e fúria certas, Kirk e sua tripulação precisarão encontrar uma cura para O Pon Farr. Essa história serviria como um ótimo enredo paralelo para um longa e seria uma referência e tanto à série clássica. Há uma segunda história envolvendo a espécie gorn, também proveniente da série clássica, mas ela poderia ser descartada por não ter muito a ver com a trama principal (embora a história de Spock e seu Pon Farr também não esteja muito ligada à trama principal, ainda assim seria interessante usá-la, pois foi colocada a questão de como ficaria o ritual agora que Vulcano não existe mais). A parte final dos quadrinhos seria o esqueleto principal da história, pois desenvolve mais a aliança entre a Seção 31 e os romulanos, o ataque dessa aliança ao Império Klingon e o que a destemida tripulação da Enterprise vai fazer para evitar um conflito de proporções galácticas.

Um Spock enlouquecido

Essa é uma história muito instigante que cairia como uma luva para um filme. Além de fazer referência à série clássica, vemos aqui também referências a coisas que apareceram nos longas anteriores. Por exemplo, a matéria vermelha que destruiu Vulcano está nas mãos dos romulanos, os klingons conseguiram a tecnologia da nave romulana de Nero, do primeiro filme, e implantaram-na nas aves de rapina, a Seção 31 não desapareceu com a morte do Almirante Marcus, etc. Assim, trata-se de uma história muito mais criativa que trabalha com elementos do Universo que os dois primeiros longas já criaram, e não é algo totalmente destacado dos outros filmes como foi “Jornada nas Estrelas, Sem Fronteiras”, declaradamente o filme mais fraco da Enterprise da era pós J. J. Abrams. Só é de se lamentar que essa história tenha dado mais espaço a personagens novos e menos espaço a personagens já consagrados. Vemos muito pouco McCoy, Scott, Chekov e Uhura, por exemplo. Mas isso poderia ser compensado reescrevendo o roteiro para o longa e fazendo uma substituição simples dos personagens novos pelos mais antigos.
Assim, “Jornada nas Estrelas, Nos Domínios da Escuridão”, é uma outra aposta certa da Mythos Books para conquistar o trekker de plantão (a primeira é o lançamento em quadrinhos do roteiro original de “Cidade à Beira da Eternidade”), pois dá uma história instigante e digna para a nova versão de “Jornada nas Estrelas”, que será vista pelos fãs com outros olhos. Uma obra que vale o dinheiro investido.

Personagens originais, como Uhura, apareceram pouco

Batata Movies – Batman, A Piada Mortal. Psicose E Perdão.

Cartaz da Animação

Esse ano, houve um rebuliço entre os chamados DCnautas (ou fãs de quadrinhos da DC, para ser mais específico). É que foi feita uma exibição em sessão única da animação “Batman, A Piada Mortal” (“Batman, The Killing Joke”). As expectativas eram ótimas: a voz do Coringa seria feita por Mark Hamill, essa seria uma das animações mais  violentas e doentias de que se tinha notícia, etc. Confesso que não assisti a animação quando de sua exibição única no cinema. Algum tempo depois, fiquei sabendo que ela já estava disponível em DVD. E, nas minhas andanças pelas mega stores da vida, me deparei com “Batman, A Piada Mortal”. Decidi então comprar o DVD para ver se a animação era realmente tão boa assim. Para poder falar um pouco sobre ela, vou ter que lançar mão de “spoilers”, me desculpem.

Surtadaço!!!!

No que consiste a história? Ela é dividida basicamente em duas partes, a princípio muito distintas. Ao seu início, Batman e Batgirl caçam o perigoso sobrinho de um gângster muito importante de Gotham City. Batman quer Batgirl fora dessa caçada, pois o malfadado sobrinho sente uma forte atração sexual por ela e usa isso para enervar a heroína. Não pensando de forma racional, Batgirl pode facilmente cair nas armadilhas do bandido. Com um instinto protetor, Batman tenta dissuadir Batgirl do caso, mas as coisas acabam numa forte noite de amor. O tal bandido é preso, não sem antes Batgirl dar-lhe uma surra e quase matá-lo. Aí estava outro motivo para Batman querer Batgirl fora do caso, pois ele temia que ela perdesse as estribeiras e fizesse justiça com as próprias mãos, matando o bandido, sendo esse um abismo sem volta. Cansada de toda essa pressão psicológica, Batgirl aposenta a capa e volta a ser apenas Barbara Gordon.

Já a segunda história é bem mais barra pesada. Coringa escapa da prisão e quer provar a todo mundo uma teoria: basta um dia ruim em sua vida para você surtar e enlouquecer. Para isso, ele dá um tiro em Barbara, aleijando-a permanentemente, além de estuprá-la. Ainda, sequestra o comissário Gordon e o submete a toda uma série de torturas físicas e psicológicas, onde o policial é inclusive obrigado a ver a imagem de sua filha ferida e nua. Depois de ouvir do palhaço do crime que Batman também age fora das regras da lei, o comissário Gordon, ao ser resgatado das mãos de Coringa e dos seus criminosos por Batman, fala ao Homem Morcego que faz questão de que o vilão seja preso de acordo com as leis. Esse é o sinal de que a tese de Coringa está furada e a sanidade mental pode ser mantida. Há o duelo final entre o herói e o vilão e, então, ao se ver derrotado, Batman se nega a matar Coringa e age dentro das leis, dizendo que não quer matá-lo e sim ajudá-lo, chegando a estender a mão para o vilão, que declina do convite, pois alega que “já é muito tarde para aceitar isso”. A animação termina com o Homem Morcego e Coringa rindo de uma piada um tanto sem graça, que eu já até vi contada de uma forma diferente na Turma da Mônica.

Bom, o que podemos falar da animação? Ela tem um ponto positivo e um ponto negativo. Vamos começar pelo negativo, para que a antipatia dos fãs da DC à minha pessoa passe logo. A promessa de uma grande violência no filme para mim não foi muito cumprida. Sei lá, eu acho que o Rio de Janeiro real é muito mais violento que uma Gotham City fictícia. Aqui, o Coringa já teria tomado um teco de fuzil na cara, dado pela polícia, há muito tempo. E que se lasque se as leis não fossem cumpridas. O Coringa, por sua vez, não teria deixado Barbara Gordon viva e paralítica. Ele teria estuprado e matado a moça mesmo (isso se ainda não desossasse a finada e desse a carne para os cachorros comerem, como dizem por aí que aconteceu com a Eliza Samudio). Ou seja, o Rio de Janeiro é muito mais violento e desrespeita as leis há bem mais tempo. Eu acho que a DC podia pagar uma estadia para seus roteiristas para passarem umas duas semanas por aqui. Eles voltariam cheios de ideias para um Coringa bem mais cruel. E nem quero imaginar o que fariam com o Batman.

Até onde eles se aproximam e se distanciam????

Mas isso não quer dizer que a animação tenha apenas problemas. Contar a história pregressa do Coringa foi algo simplesmente sensacional. A gente realmente fica com pena do homem, que sofreu várias pressões, e teve vários dias ruins, ao invés de um só. Talvez a tese do palhaço do crime tenha mais coerência aí. E de como Batman foi determinante para o seu mergulho total na insanidade. Provavelmente foi por isso que Batman, ao final, oferece ajuda ao bandido para tentar recuperá-lo, ao invés de lhe desferir um golpe fatal. O relacionamento entre herói e vilão, mostrando até onde eles se assemelham e onde se diferenciam, é o grande lance dessa história, algo que poderia até ser examinado por especialistas em psicologia ou psicanálise, o que, definitivamente, não é o meu caso.

E qual é a relação entre as histórias da Batgirl e do Coringa? Ambas defendem a premissa de que somente se combate o crime se você age dentro da lei. Ou seja, aquela velha ideia de John Locke de que o respeito às leis é necessário, pois quando as pessoas vivem em sociedade, ninguém pode fazer o que bem entender, pois o ato de uma pessoa pode prejudicar outra. Daí a importância de se cumprir as leis, que devem representar a vontade da maioria das pessoas e ainda garantir os direitos e a vida dos cidadãos. Criminosos devem ser punidos por desrespeitar as leis. Mas os heróis também não devem desrespeitar as leis para punir os criminosos, algo que se torna muito notório quando se trata de Batman, que tem atrelada às suas costas a fama de justiceiro que nem está aí para o que as leis dizem.

Barbara passará por um sufoco…

Assim, “Batman, A Piada Mortal”, se não parece ser excessivamente violento como se apregoava, ainda tem a virtude de se analisar não somente a psique do vilão, mas indiretamente a do próprio Homem Morcego. A discussão do respeito às leis também tem forte destaque. Para o DCnauta, é obrigatório ter. Mas é altamente recomendável para quem gosta de uma boa história. Veja o trailer abaixo…

Batata Comics – Dentuça, Eu? A Guerra Civil Chega À Turma Da Mônica Jovem.

 

Capa da Revista
Capa da Revista

Vamos hoje inaugurar a seção “Batata Comics”, que vai falar do mundo dos quadrinhos. E a dica de hoje é de uma revista que já tem um certo tempo, mas vale a pena dar uma pesquisada. A edição de maio último da Turma da Mônica Jovem (no. 94) está um prato cheio para os geeks e nerds em geral, pois faz, à sua maneira e cheia das deliciosas paródias que só os Estúdios Maurício de Sousa conseguem fazer, a sua “Guerra Civil”. Só que o tema central e polêmico dessa contenda não será o registro de super-heróis, mas sim uma questão, digamos, muito particular e peculiar: a Mônica deve ou não usar um aparelho para corrigir os dentes?

A história começa com a turma vendo um filme no cinema, que é a “Guerra Civil” aos olhos de Maurício, ou seja, é uma luta do Capitão Homérico contra o Armadura Dourada. O grande amigo do Capitão Homérico é o Soldado Infernal. O Armadura Dourada tem a Aranha Negra como aliada. E o embate entre os dois grupos de super-heróis será a “Briga Civil”. Ao acabar o filme, a turma conversa sobre o que acabou de ver e as paródias continuam. A Magali, por exemplo, adora o ator que faz o Armadura Dourada, o Roberto Daniel Júnior, sendo do time “Estácio”. Já o Cebolinha gosta do time “Capitão”, enquanto que o Cascão gosta mais do “Homem Aracnídeo”. Só a Mônica, mal humorada, reclamava que todos os seus amigos levavam muito a sério o filme. Mas Mônica está com todo esse mau humor, pois ela tem sofrido constantes dores de cabeça e seus pais a haviam levado para todos os médicos e especialistas possíveis. Só restava levá-la ao dentista para ver se o problema de sua dor de cabeça tinha a ver com algum problema nos dentes, o que despertou a incerteza de se ela precisaria corrigir seus dentões ou não. Mônica ficou extremamente apreensiva, pois seus dentes eram a sua marca registrada e a essência do que ela é. Assim, ela pensou seriamente em não usar aparelho para corrigir seus dentes, sendo prontamente apoiada por seu namorado Do Contra, que gosta de ser diferente e quer que a Mônica seja do jeito que ela é, sem obedecer a qualquer convenção. Por outro lado, o Cebolinha, que ainda é apaixonado pela Mônica e a perdeu para Do Contra, quer que a amiga cuide de sua saúde e insiste para que ela faça o tratamento dentário. A coisa chegou às redes sociais, numa votação #timecebola e #timedocontra, bem ao estilo do que aconteceu em Guerra Civil, onde até o Capitão Homérico e  Armadura Dourada votaram. O desfecho dessa história? Chega de spoilers!!!

A "Briga Civil"
A “Briga Civil”

A história é muito legal pois, além de fazer essa divertida paródia, colocou mais alguns elementos extras na conturbada relação entre Mônica e Cebolinha, onde confissões interessantes sobre o passado são reveladas. Desde o surgimento da Turma da Mônica Jovem que há essa espécie de “novelização”, no bom sentido da palavra, do relacionamento entre a Mônica e o Cebolinha, onde fica a dúvida de se eles engatarão ou não um relacionamento afetivo. Mas os caminhos são tortuosos e esse número da revista é mais um tijolinho na construção desse relacionamento que ainda parece que vai demorar a chegar a um desfecho.

Dessa forma, a edição do mês de maio da “Turma da Mônica Jovem” está imperdível e, para quem está acompanhando as aventuras dos agora personagens adolescentes, é mais um capítulo da história entre Mônica e Cebolinha e, para quem ainda não está familiarizado com todo o Universo desses quadrinhos, é uma ótima oportunidade para embarcar nessa nova visão da Turma da Mônica. Não deixem de curtir e procurar nas edições anteriores. Com a Comic Con na área é uma interessante pedida.

Muita coisa ainda pode acontecer com esse par...
Muita coisa ainda pode acontecer com esse par…