Batata Movies – Festival Do Rio 2017. Sexy Durga. Road Movie À Madrugada.

                                                Cartazes do Filme

Mais um filme que passou no Festival do Rio deste ano. A bola da vez é “Sexy Durga”, uma produção indiana de 2016. Podemos dizer aqui que esse é um filme em duas camadas. A primeira mostra um ritual de adoração a uma deusa local, onde vemos pessoas em transe penduradas por ganchos enfiados em sua própria carne. Tudo muito característico daquela região e bem exótico aos olhos ocidentais, não sem dar um nervoso muito grande ao ver as pessoas tendo os seus corpos furados por ganchos de metal e pendurados neles. Mas essa camada serve apenas como uma espécie de pano de fundo para a história principal. E que história é essa? Vemos aqui um casal, Kaber e Durga, que sofrem a discriminação do sistema de castas indiano. Durga, a moça, é do norte do país e eles parecem estar no sul, onde a relação do casal parece não ser aceita (infelizmente o filme não deixa claro o porquê dessas coisas). Os dois, então, traçam um plano de fuga, onde eles pegarão uma espécie de van clandestina para a estação de trem, onde rumarão para o norte do país.

                      Um casal amedrontado

O problema é que os homens da van são muito esquisitos e mal encarados, começando a fazer perguntas muito estranhas para o casal, que fica totalmente amedrontado e quer descer da van o tempo todo. O mais curioso é que os sujeitos da van garantem que não vão fazer mal aos dois, mesmo colocando o homem e a mulher sem querer nas situações mais escabrosas. O casal também foge da van e anda pela estrada escura (já são altas horas da noite) várias vezes, mas os perigos são muitos e os dois sempre acabam voltando à van original e nunca chegam à redentora estação de trem para sacramentar a tão esperada fuga.

                        Uma van cheia de doidões

O que podemos falar desse road movie à madrugada? Ele é uma verdadeira ópera do absurdo, pois o casal anda num território perigoso durante toda a noite, seja dentro de uma van de malucões, seja a pé, e nunca consegue chegar ao seu destino. E o mais inusitado é que o destino está ali ao seu lado, pois a estrada beira a linha do trem em boa parte do filme. Assim, fica o desespero do casal em andar, andar e andar, com os trens passando bem ali ao lado. Mas o problema também era que o próprio casal não se decidia, pois ele sempre voltava a van depois de sair dela e tomar a estrada no breu que mergulhava a noite. Prisioneiros do próprio medo, o homem e a mulher jamais tomavam uma decisão efetiva e a encaravam de frente, caindo numa armadilha armada por eles mesmos, produto de duas mentes angustiadas que acabavam angustiando também o espectador.

As filmagens devem ter dado muito trabalho por terem sido realizadas à noite. As longas caminhadas na estrada no escuro obrigavam a equipe de filmagem a colocar sempre a câmara em movimento. Igualmente complicadas devem ter sido as tomadas na van, onde víamos o carro parando e andando, com as filmagens se desenrolando. Filmar em tais condições adversas deve ter sido um desafio e tanto e a gente já bate palmas para esse detalhe do qual nem sempre o espectador se dá conta.

                    Andando pela madrugada

Assim, “Sexy Durga” é um filme onde nós podemos dizer que foi de difícil realização, nos contou uma história absurda, onde o preconceito do sistema de castas indiano foi o combustível para o inusitado e o climão de road movie regado a muito heavy metal foi uma curiosidade a mais nas tomadas claustrofóbicas de lugares ermos na escuridão da madrugada. Vale a pena procurar na internet por este, caso não dê o ar de sua graça nos cinemas daqui em circuito comercial.

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